Desafios e Projeções para o Sistema Único de Saúde em Tempos Eleitorais
No cenário político que antecede as eleições, as candidaturas já anunciadas ou em fase de preparação começam a gerar debates intensos, especialmente no que tange à saúde pública no Brasil. Propostas, interesses e projetos, ainda que com contornos imprecisos, estão em circulação, suscitando críticas e reflexões sobre o futuro do setor.
Um dos destaques é o doutor Queiroga, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, que, em fevereiro, apresentou o Plano Real da Saúde. Essa proposta busca uma reforma focada na revisão dos valores da tabela do SUS e uma remuneração mais justa para os profissionais da saúde. No entanto, a repetição das promessas do programa eleitoral do PL de 2022, que não foram cumpridas durante a gestão anterior, levanta questionamentos sobre sua viabilidade e sinceridade.
A atual proposta parece ser uma estratégia para alavancar a candidatura de Queiroga ao Senado e conquistar o apoio de setores empresariais e associações médicas. Contudo, a falta de ideias concretas e de compromissos efetivos em relação à melhoria da saúde pode resultar em uma plataforma frágil, sem atender às reais necessidades da população, que, segundo várias pesquisas, é uma das maiores preocupações dos eleitores.
Historicamente, as candidaturas majoritárias tendem a se concentrar em promessas que, embora ambiciosas, são muitas vezes inviáveis. Essa busca incessante por atrair eleitores de peso, em detrimento de mudanças estruturais significativas, tem gerado um ciclo de promessas não cumpridas e descontentamento popular.
O Ministério da Saúde, que sofreu um desmonte durante os governos de direita e extrema-direita, conseguiu se reerguer sob a liderança de Nísia Trindade e Alexandre Padilha. No entanto, o ministério ainda enfrenta desafios para implementar iniciativas com impacto nacional significativo. Embora tenham havido avanços na promoção do SUS, interesses privados continuam a desafiar a proposta de um sistema universal e acessível.
As movimentações políticas, por sua vez, têm se mostrado ambíguas, buscando atender a diferentes bases de apoio, mas ao mesmo tempo diluindo as possibilidades de um fortalecimento real do setor público. O que se observa é um vácuo de propostas concretas para um SUS que seja contemporâneo e abrangente.
Recentemente, esse vazio tem sido preenchido por iniciativas que buscam reorganizar as bases institucionais da saúde, como o Instituto Todos pela Saúde, que propõe a criação de um órgão voltado para a prevenção e controle de doenças. Essa proposta, respaldada por especialistas, contrasta com sugestões que surgem de demandas empresariais, como o fortalecimento da ANS para regular inovações tecnológicas.
Desde o início dos anos 2000, o período eleitoral também coincide com um aumento na atuação de grupos de pressão que defendem a expansão de mercados como solução para os problemas da saúde no Brasil. Essa dinâmica, que por muitas vezes se posiciona contra a ideia de um sistema de saúde universal, torna-se uma prática comum na arena política.
As disputas em torno de temas como a distribuição de recursos, quantidade de ambulâncias e longas filas nos hospitais não se traduzem em um sistema de saúde eficaz. A falta de opções para prevenção de violência, cuidados com saúde mental, e soluções para os altos gastos com medicamentos contribui para uma realidade alarmante. Embora existam programas como a Farmácia Popular, os desafios permanecem: é necessário enfrentar as desigualdades que prejudicam a maior parte da população.
Os próximos passos são cruciais. Precisamos avançar na luta pela saúde pública ou correr o risco de continuar apenas acendendo velas em meio à escuridão e à incerteza sobre os direitos e a democracia. Assim, a pergunta que nos resta é: como competiremos em 2026? A saúde da população depende de decisões corajosas e realmente comprometidas com o bem-estar coletivo.

