PT Critica Autonomia do Banco Central
Uma nova resolução aprovada pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) acirrou as críticas à atual política monetária e à autonomia do Banco Central do Brasil. Além de abordar questões econômicas, o documento também expressou posturas sobre política externa, defendendo a Venezuela e Cuba contra o que considera pressões internacionais indevidas.
O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentou a favor de uma redução na taxa básica de juros, apresentando a atuação da autoridade monetária como um “obstáculo” ao projeto político petista. Essa resolução foi aprovada na última sexta-feira (6) durante uma reunião em Salvador, e os detalhes foram divulgados no dia seguinte, em meio às celebrações pelos 46 anos da sigla.
A resolução critica a autonomia do Banco Central, que foi implementada durante o governo Jair Bolsonaro, afirmando que isso transformou a política monetária em um instrumento que bloqueia o crescimento econômico. O texto menciona que essa autonomia aprofunda a “financeirização da economia”, drena recursos públicos e restringe investimentos produtivos.
No documento, o PT argumenta que “é o momento de reduzir a taxa de juros, que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional”. De acordo com a resolução, a política monetária vigente compromete o investimento produtivo e limita a capacidade de expansão da economia. O partido declara que continuará a pressionar por mudanças na política de juros nos próximos meses.
Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou em janeiro a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na taxa na próxima reunião, agendada para março. Contudo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — que foi indicado por Lula — tem enfrentado críticas internas no PT pela falta de uma redução mais acelerada na taxa de juros.
Recentemente, em uma entrevista ao portal UOL, Lula disse que se comunica diariamente com Galípolo sobre a questão da alta taxa de juros, embora tenha declarado que o país é “feliz” por contar com o atual presidente da autoridade monetária.
Apoio à Venezuela e Cuba
Na seção destinada à política externa, a nova resolução do PT expressa que o Brasil não deve aceitar “qualquer tentativa de interferência externa” sobre a autodeterminação dos povos. O partido condena o que classifica como ataques à Venezuela e ameaças à Cuba, embora o documento não mencione explicitamente os Estados Unidos. O texto sugere que esse tipo de pressão remete a períodos históricos de ingerência na América Latina.
Outro ponto central abordado na resolução é a defesa de uma regulamentação para o ambiente digital, especialmente antes das próximas eleições. O PT argumenta que as redes sociais e grandes plataformas se transformaram em uma nova arena política, marcada pela rápida disseminação de informações falsas. “O espaço digital não pode ser um território de manipulação nem um instrumento de ataque às instituições”, defende o texto enquanto clama por esforços nacionais para combater fake news e o uso ilegal de inteligência artificial, com o objetivo de garantir eleições “verdadeiramente democráticas e transparentes”.

