Qualidade e Segurança em Destaque
Apenas três hospitais particulares da Bahia foram destacados no Programa de Monitoramento da Qualidade Hospitalar da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), segundo dados recentes divulgados na última sexta-feira (20). Os estabelecimentos que se sobressaem nesse cenário são o Hospital Santa Izabel, o Hospital Português e o Hospital Santo Amaro. Esses hospitais cederam voluntariamente informações essenciais, permitindo uma avaliação abrangente de seus serviços.
A plataforma da ANS fornece dados atualizados para o ano-base de 2024, organizados por hospital, mostrando claramente quais instituições enviaram todos os indicadores necessários ao longo do ano. Os critérios analisados pela agência abarcam três categorias principais: Efetividade, Eficiência e Segurança. A “Efetividade” mede a aplicação de condutas e protocolos, “Eficiência” reflete a qualidade e agilidade dos processos, enquanto “Segurança” diz respeito às práticas assistenciais que visam minimizar danos aos pacientes.
Hospital Santa Izabel: Desempenho Notável
O Hospital Santa Izabel, localizado em Salvador, foi classificado no Grupo I, destinado a Hospitais de Alta Complexidade, com base na quantidade de leitos e na infraestrutura de UTI. No quesito “Efetividade”, o hospital atingiu a grande maioria das metas estabelecidas pela ANS. Embora tenha cumprido a maioria dos parâmetros, a proporção de partos vaginais, que deveria ser de 55%, não teve dados divulgados.
Quando analisamos a “Eficiência”, o hospital demonstrou um tempo médio de internação de apenas 5,47 horas, bem abaixo do esperado. Para internações, o tempo ficou em 3,25 horas, superando a meta de até oito dias, e o tempo de espera para o primeiro atendimento foi de 16,98 minutos, respeitando o padrão estabelecido.
Os indicadores de segurança foram igualmente analisados, abrangendo taxas de infecções e quedas. O hospital apresentou uma taxa de infecção associada ao uso de cateter venoso central ligeiramente acima do padrão desejado, com 1,03%. Além disso, a taxa de eventos sentinela ficou em 0,02%, enquanto a expectativa da ANS é de zero.
Hospital Português: Resultados Mistas
O Hospital Português, também situado na capital baiana e integrante do Grupo I, possui 362 leitos e uma ampla gama de serviços, incluindo UTI e maternidade. No que tange à “Efetividade”, seus resultados foram mistos. A proporção de partos vaginais ficou em 24,17%, abaixo da meta de 55%. No entanto, a taxa de reinternações em até 30 dias foi notável, com apenas 1,73% de casos, e a taxa de mortalidade institucional se manteve dentro do esperado, em 2,31%.
O hospital também apresentou um tempo médio de internação de 5,27 dias, ligeiramente acima da meta, mas a permanência nas emergências foi de 3,77 horas, respeitando o limite de 8 horas. O tempo de espera para o primeiro atendimento emergencial foi de 4,09 minutos, dentro do esperado. Por outro lado, a taxa de início de antibióticos intravenosos profiláticos não atingiu a meta, com 83,13%.
No que diz respeito à segurança, o Hospital Português atendeu a vários parâmetros, mas não conseguiu a taxa desejada de infecção associada ao uso de CVC, com 6,39%, em contraste com a meta de 1%.
Hospital Santo Amaro: Desempenho Abaixo do Esperado em Alguns Critérios
O Hospital Santo Amaro, localizado no Recôncavo baiano e classificado no Grupo II devido ao seu porte médio, possui 96 leitos e serviços de UTI. Este hospital atendeu a parte dos critérios de “Efetividade”, com destaque para a proporção de reinternações, que ficou em 3,28%, bem abaixo do limite de 20%. A taxa de mortalidade foi de 0,54%, dentro do parâmetro desejado.
No entanto, a proporção de partos vaginais foi apenas de 7,06%, distante do esperado de 55%. Em termos de “Eficiência”, o hospital registrou um tempo médio de internação de 0,93 dias, respeitando o padrão de cinco dias ou menos. Contudo, o tempo de espera para atendimento ficou em 14,29 minutos, acima do limite desejado de 10 minutos.
Os indicadores de segurança mostraram que o hospital atendeu a alguns critérios de infecção, mas a profilaxia de tromboembolismo venoso ficou em 84,15%, abaixo do ideal de 100%. A gestão de eventos sentinela também mostrou uma taxa de 0,13%, onde a expectativa da ANS é de zero.

