Iniciativa da Prefeitura de Queimadas Promete Revolucionar a Economia Local
A Prefeitura de Queimadas, localizada na região sisaleira da Bahia, está prestes a lançar a moeda social Itapicuru. Essa ação tem como objetivo primordial o fortalecimento da economia local, promovendo a circulação de recursos dentro do município e evitando que dinheiro saia da cidade. A ideia é que, com a moeda, a economia interna seja movimentada de maneira mais eficaz.
A proposta da moeda social resultou de discussões entre a gestão municipal, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a assessoria de educação, levando em consideração experiências já implementadas em outros locais. O procurador do município, Henri Hermelino, destacou que a ideia ganhou impulso após um intercâmbio de experiências com Indiaroba, em Sergipe. “A experiência de Indiaroba foi trazida ao município com a presença de seu prefeito e do ex-prefeito, o que despertou o interesse na criação de uma moeda social própria”, explicou Hermelino, em entrevista ao Bahia Notícias.
A moeda Itapicuru será totalmente digital e terá paridade com o real, ou seja, um Itapicuru será equivalente a R$ 1. Nos primeiros momentos, a utilização será focada em programas sociais do município, substituindo a entrega direta de benefícios, como cestas básicas, por repasses que poderão ser usados em estabelecimentos comerciais locais previamente cadastrados. “Em vez de contratar empresas externas para fornecer cestas, vamos direcionar os recursos para o comércio local”, acrescentou Hermelino. Outros programas, como o auxílio enxoval, também devem ser convertidos para esse novo modelo.
Essa iniciativa busca reter os recursos dentro da cidade, com a intenção de estimular a economia local. “Vamos evitar que o dinheiro saia da cidade e fazer com que ele circule aqui mesmo. Isso representa uma injeção econômica significativa e um desenvolvimento social muito maior para a nossa cidade”, ressaltou o procurador.
A moeda Itapicuru será operada por meio de um aplicativo, funcionando de maneira similar aos pagamentos via Pix. Para implementar essa solução, a prefeitura planeja realizar uma licitação para contratar a plataforma digital que ficará responsável por essas transações. “Todos esses modelos utilizam aplicativo, por isso vamos abrir um processo licitatório para contratar uma empresa que faça essa operação”, afirmou Hermelino, que também citou experiências de outras cidades, como Maricá (RJ) e Fortaleza (CE).
Para assegurar que a população menos familiarizada com tecnologia digital tenha acesso à moeda, a prefeitura pretende estabelecer pontos de apoio e fornecer orientação. Além disso, comerciantes de diversos setores poderão se cadastrar para aceitar a nova moeda.
Antes de enviar o projeto de lei para a Câmara Municipal, a proposta passou por uma série de discussões públicas. Hermelino mencionou que foram realizadas reuniões com comerciantes, vereadores, lideranças políticas e a população em geral, além de uma audiência pública. “Realizamos diversas conversas com os mais variados setores e a aceitação foi excelente por parte de todos”, declarou.
O lançamento oficial da moeda Itapicuru está agendado para o final de março, durante a feira da agricultura familiar do município. No entanto, a gestão municipal reconhece que o verdadeiro impacto da iniciativa só poderá ser aferido após a implementação prática. “Só teremos clareza sobre a aceitação e o funcionamento quando a moeda começar a circular efetivamente”, finalizou Hermelino.
Atualmente, a Bahia possui poucas iniciativas semelhantes. Além de Queimadas, Santa Bárbara, localizada no Portal do Sertão, está em processo de implantação de uma moeda social ainda na fase experimental, enquanto Jaguarari, no Piemonte Norte do Itapicuru, também discute a possibilidade de um modelo semelhante.

