Expectativas de Produção e Empregos Criados
O início do ano de 2024 marca um passo significativo para a retomada das fábricas de fertilizantes nitrogenados no Nordeste brasileiro. Na Bahia, a unidade da fábrica de fertilizantes nitrogenados (Fafen-Ba) concluiu recentemente sua manutenção e está agora em fase de comissionamento, com previsão para começar a produção de ureia até o fim de janeiro, conforme informações da Petrobras.
Localizada em Camaçari, esta planta tem capacidade para gerar até 1.300 toneladas de ureia por dia, o que representa aproximadamente 5% do consumo nacional. A operação da fábrica também abrange os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia situados no Porto de Aratu, em Candeias.
No estado vizinho de Sergipe, a unidade localizada em Laranjeiras já havia iniciado a produção de amônia desde 31 de dezembro e começou a fabricar ureia em 3 de janeiro. Com capacidade para produzir 1.800 toneladas diárias de ureia, essa planta corresponde a 7% do mercado.
Juntas, as fábricas da Bahia e de Sergipe vão produzir amônia, ureia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), demandando investimentos iniciais de R$ 38 milhões para cada uma. A reinauguração das Fafens gerou até agora 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos, beneficiando a economia local.
Impacto no Agronegócio e no Mercado Nacional
Segundo William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, as duas fábricas de fertilizantes, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), instalada no Paraná, serão responsáveis por 20% de toda a demanda de ureia no Brasil. A expectativa é que, nos próximos anos, a produção nacional aumente para 35%, com a construção de uma nova planta no Mato Grosso do Sul.
A produção de fertilizantes nitrogenados é crucial para restaurar a capacidade do Brasil em fornecer insumos estratégicos para o agronegócio, como ureia para fertilização e alimentação de ruminantes. Além disso, esses insumos poderão atender a setores como o têxtil, de tintas e papel e celulose.
Histórico e Processo de Desinvestimento
A Fafen havia sido desativada pela Petrobras em março de 2018, como parte de um plano de desinvestimentos da estatal. Na época, a decisão foi justificada pela falta de competitividade e altos custos operacionais da unidade. Em novembro de 2021, a fábrica chegou a ser reaberta, com a promessa de geração de cerca de 500 postos de trabalho.
Em 2020, a Fafen foi adquirida pelo Grupo Unigel, que investiu cerca de R$ 95 milhões na unidade. No entanto, o contrato foi rescindido em 2023, levando a fábrica a um novo período de inatividade.

