Expectativas e Alianças no Cenário Eleitoral
Após o Carnaval, o clima político começa a esquentar no Brasil, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando. Enquanto as últimas semanas foram marcadas por folguedos e desfiles, agora os atores políticos intensificam suas preparações, testando estratégias e enredando-se em narrativas. É um período crucial, no qual alianças começam a ser moldadas e cada movimento, seja uma declaração, uma atitude ou mesmo um silêncio, adquire relevância na leitura do que está por vir.
No centro das atenções, está o presidente Lula, que recentemente enfrentou uma situação adversa com o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou seu governo. Embora essa situação fosse esperada, o que poderia ser apenas um acontecimento no cenário carnavalesco rapidamente ganhou contornos políticos. Análises de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, realizadas pela Palver, revelaram que 54% das mensagens sobre o tema foram críticas à escola e ao presidente.
Críticas e Narrativas da Oposição
A oposição capitalizou a situação, argumentando que o Carnaval se transformou em um “palanque” e uma “propaganda” política, reforçando a acusação de campanha antecipada e uso inadequado da cultura. Apesar de uma parcela considerável da população defender a liberdade de expressão artística, o episódio foi amplamente utilizado como um indicativo de desgaste do governo.
No entanto, o assunto que realmente tem dominado os debates políticos é a crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master. Esta questão tem gerado intenso engajamento nas redes sociais, com mais de 99% das manifestações nos últimos sete dias expressando críticas diretas ao STF e a seus ministros. Tal contexto cria um cenário em que os políticos buscam, a todo custo, evitar associações com essa crise.
Críticas Direcionadas ao STF
Os principais alvos das críticas têm sido os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, especialmente após a circulação de conteúdos que os ligam a Daniel Vorcaro, do Banco Master. A narrativa predominante gira em torno da ideia de “blindagem” e “proteção institucional”, acompanhada de questionamentos sobre a imparcialidade do tribunal. A radicalização das mensagens críticas em relação ao STF é superior a de outros temas analisados, o que consolida essa pauta como a principal no início do processo eleitoral.
Conflitos Internos na Direita
Em um cenário de polarização, o campo político da direita enfrenta conflitos internos que geram instabilidade e divisões entre os apoiadores. Os recentes embates entre Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira geraram 75% de críticas, enquanto apenas 25% pedem uma conciliação, evidenciando a chamada turma do “deixa disso”. A maioria das críticas, cerca de 84%, embora não contenha xingamentos explícitos, levanta questões de sabotagem, vaidade e desvio de foco.
Uma análise mais aprofundada dos dados revela que Flávio Bolsonaro é o principal alvo de ataques na direita, contabilizando 64% das críticas entre os grupos examinados pela Palver. Nikolas Ferreira aparece com 18%, Eduardo Bolsonaro com 16% e Michelle com 2%. Eduardo tem cobrado um apoio mais contundente à campanha de Flávio, apontando a falta de alinhamento como um problema estratégico. Nikolas, por sua vez, tem se mantido firme em sua posição, reforçando a percepção de um racha entre os colaboradores da direita. Essa dinâmica gera um aumento das críticas, não apenas da oposição, mas também de setores da própria direita.

