Transformação Tecnológica na Suzano
A Suzano, reconhecida como a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vem implementando mudanças significativas na sua unidade de Mucuri, na Bahia. Por meio do programa interno Digital Empowerment, a companhia oferece aos colaboradores a oportunidade de aprimorar os processos produtivos com o uso de tecnologia de ponta.
Esse programa, desenvolvido em parceria com a Koru, uma empresa brasileira que se especializa em aprendizagem corporativa personalizada, introduziu o uso de sensores que monitoram em tempo real o teor de carbonato de cálcio residual durante uma etapa crucial da fabricação. Entender este resíduo gerado no processamento da madeira é de suma importância, pois sua gestão inadequada pode resultar em custos elevados e redução da eficiência do forno.
Até então, na fábrica de Mucuri, esse controle era realizado manualmente, apenas uma vez por turno. Agora, com a implementação do Digital Empowerment, grupos de colaboradores são selecionados para resolver desafios reais da empresa com a ajuda da tecnologia. O time envolvido nesta iniciativa inclui operadores, analistas juniores e consultores de processo.
“Formamos grupos mistos que já têm seus projetos quase formatados. O problema é apresentado como um tema, e no primeiro mês trabalhamos para decifrar esse desafio, iniciando a formação logo em seguida,” explica Nathan Caressato, coordenador de DigitalTech da Suzano.
Capacitação e Resultados Concretos
Com uma trilha de formação personalizada que abrange 180 horas, o programa tem como missão descentralizar o conhecimento tecnológico na organização, focando especialmente em quem interage diariamente com a operação. Segundo Caressato, o foco está em operadores de painel, consultores de processos e engenheiros júnior. “Não pretendemos inicialmente atingir lideranças, embora isso possa ocorrer”, detalha.
O programa visa desenvolver o pensamento analítico e proporcionar acesso a ferramentas tecnológicas, permitindo que os colaboradores identifiquem e resolvam problemas cotidianos. “O conhecimento prático é fundamental – representa de 80% a 90% do sucesso do projeto. Nossa função é ampliar essa visão, utilizando novas ferramentas para ajudar na solução dos desafios. Isso resulta em um programa efetivo,” afirma Caressato.
O Digital Empowerment abrange a formação em análise de dados, ciência e engenharia, e envolve a criação de produtos digitais, como sistemas de predição e recomendação utilizando Python e inteligência artificial generativa.
Após um ciclo de capacitação de cerca de sete meses, a formatura só ocorre quando o grupo apresenta um projeto operacionalizado. No caso de Mucuri, a primeira versão foi concluída em maio de 2025, e uma segunda versão já estava em andamento em dezembro do mesmo ano, fruto da colaboração dos alunos.
Inovações e Ganhos Sustentáveis
Na cerimônia de formatura, todos os grupos expõem seus projetos para a alta liderança da empresa, incluindo o CEO e a vice-presidência. O grupo vencedor tem a oportunidade de viajar para o MIT para uma formação adicional. Em 2025, a inovação desenvolvida em Mucuri conquistou o primeiro lugar.
Com a automação implementada na unidade, a Suzano reportou benefícios como a redução de falhas e paradas inesperadas, resultando em uma produção mais estável. Além disso, a equipe agora pode dedicar seu tempo a outras atividades. A eficiência do processo também trouxe uma economia significativa de gás natural, ajustando o uso e, consequentemente, diminuindo custos e promovendo uma operação mais sustentável. O potencial de retorno financeiro desse projeto é estimado em R$ 29 milhões.
O Digital Empowerment, que originou este projeto inovador, já foi adotado em diversas unidades da Suzano, que se estendem pelo Brasil, Estados Unidos, Europa e China, formando mais de 400 profissionais e resultando em aproximadamente 60 projetos com um retorno total estimado em R$ 180 milhões.
Outro projeto notável envolve o desenvolvimento de um algoritmo de visão computacional que analisa imagens de satélite para melhor estimar variáveis operacionais nas florestas, como o crescimento da vegetação e identificação de pragas.
Além disso, equipes de recursos humanos criaram soluções de automação para facilitar a busca de candidatos em plataformas, permitindo a descoberta de perfis específicos. Para o chão de fábrica, um aplicativo foi desenvolvido para registrar falhas de equipamentos. Quando um problema é identificado, a ferramenta utiliza IA para analisar e oferecer possíveis causas.
Histórico e Impacto da Suzano
A Suzano, fundada em 1924, é uma companhia brasileira dedicada à produção de celulose, papel e soluções de base florestal, com forte presença em produtos de higiene, papel para impressão e embalagens. Em 2019, a empresa adquiriu a Fibria, a líder mundial em celulose de eucalipto, originada pela fusão da Aracruz com a Votorantim Celulose. Atualmente, a Suzano está em fase de desenvolvimento de uma parceria global com a Kimberly Clark, anunciada em junho de 2025, e com conclusão prevista para a metade de 2026.
Com 15 unidades industriais no Brasil, a Suzano distribui seus produtos para mais de 100 países, impactando a vida de mais de 2 bilhões de pessoas. A Koru, por sua vez, é uma empresa que oferece soluções de capacitação personalizadas, tendo impactado mais de 25 mil carreiras em mais de 300 organizações, incluindo grandes nomes como Suzano, O Boticário, Alpargatas, iFood, XP e Ambev.

