Renovação que respeita a tradição
O teatro vila velha, marco da cultura baiana, voltou a funcionar nesta sexta-feira (25) no Passeio Público, em Salvador, depois de uma ampla revitalização realizada pela Prefeitura. A reforma modernizou a infraestrutura, atualizou sistemas vitais e ampliou a acessibilidade, segurança e conforto para artistas, funcionários e espectadores.
Inaugurado em 1964, o Vila Velha mantém sua identidade arquitetônica, especialmente no palco, que conserva suas configurações originais para atender às diversas formas de encenação. Essa combinação entre tradição e inovação faz parte do projeto pensado para as demandas atuais de um equipamento cultural da cidade.
Ampliação e tecnologia para espetáculos
Entre as principais melhorias, o teatro dobrou o número de varas cênicas e incorporou sistemas modernos de iluminação, som e audiovisual. A sala principal recebeu tratamento acústico e um sistema de ar-condicionado atualizado. Também foram criados espaços para armazenar cenários e equipamentos, e uma subestação de energia reforça a estrutura.
A sala Cabaré dos Novos ganhou isolamento acústico, possibilitando eventos simultâneos com a sala principal. A antiga sala João Augusto, antes destinada a ensaios, transformou-se em uma terceira sala de espetáculos, adequada para montagens experimentais, monólogos e outras formas artísticas.
Requalificação do entorno e acessibilidade
A recuperação do Passeio Público integra a obra, com renovação da iluminação e intervenção em bancos, monumentos, fonte e mirante, preservando sua configuração histórica. A acessibilidade foi prioridade, com a instalação de uma passarela metálica que conecta o Passeio Público ao teatro, incluindo rampa de acesso suave, elevador e escadarias para facilitar a circulação nos diferentes níveis do equipamento.
Esse novo acesso facilita a chegada do público pelo entorno de um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), garantindo um percurso quase no mesmo nível até a torre de elevadores.
Leia também: Teatro Dona Canô reabre em Santo Amaro e impulsiona cultura no Recôncavo Baiano
Leia também: Bando de Teatro Olodum Reconhecido como Patrimônio Cultural de Salvador
Preservação da memória e do acervo
O acervo do Teatro Vila Velha, estimado em cerca de um milhão de documentos, ganhou um espaço dedicado à pesquisa, visitação e conservação. O Cabaré dos Novos permanece como sala independente e as áreas administrativas foram ampliadas para armazenamento de cenários, figurinos e objetos relacionados.
Na entrada, o mural do artista plástico Bel Borba, um símbolo clássico do teatro, foi revitalizado para recuperar a beleza afetada pelo tempo.
Uma história que pulsa no palco
Fundado em 1964 por alunos dissidentes da Escola de Teatro da Ufba, sob a liderança do professor João Augusto, o Vila Velha se consolidou como referência da cultura baiana. Passou por momentos decisivos da cena nacional, como a participação no movimento tropicalista com o espetáculo “Nós, Por Exemplo…”, que reuniu nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé.
O palco do Vila já recebeu artistas como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Virgínia Rodrigues e Othon Bastos, além de grupos como Novos Baianos, Bando de Teatro Olodum, Viladança, Cia. de Teatro Novos Novos e VilaVox.
Investimento público e futuro cultural
O investimento da Prefeitura de Salvador na revitalização do Vila Velha e do Passeio Público totalizou R$ 28,6 milhões. Deste valor, R$ 14 milhões foram destinados à aquisição de equipamentos modernos, enquanto R$ 14,6 milhões foram aplicados na reforma física e recuperação do espaço público. O projeto foi elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF).
Leia também: Jerônimo e Margareth Menezes lideram caminhada cultural em Salvador e reforçam compromisso com a cultura baiana
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: Teatro Vila Velha reabre em Salvador com inovação e história preservada
Fonte: jornalvilavelha.com.br
Para o prefeito Bruno Reis, a reabertura representa o resgate de um espaço fundamental da cultura baiana e abre caminhos para novas gerações de artistas e público. Ele destaca a importância de ampliar o uso do teatro e fortalecer a economia criativa local, que gera empregos e renda para a população.
A vice-prefeita Ana Paula Matos ressaltou o compromisso da Prefeitura em valorizar a cultura, a memória e os artistas da cidade, celebrando a modernização e acessibilidade conquistadas pelo Vila Velha.
Desafios arquitetônicos e técnicos
O entorno do Passeio Público, tombado pelo Ipac, exigiu cuidados especiais para qualquer intervenção. Segundo Tânia Scofield, presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), o projeto passou por rigorosa análise para respeitar o patrimônio.
O arquiteto Nivaldo Andrade, responsável pela obra, destacou a solução para problemas antigos, especialmente em relação à acessibilidade universal. Com a nova passarela e elevador, o acesso ao palco e à plateia ficou acessível para cadeirantes e mais confortável para todo público.
Retorno à casa e ao diálogo cultural
Para o diretor do Vila Velha, Márcio Meirelles, a reabertura não é apenas a retomada das atividades no prédio, mas o reencontro com um espaço que acolhe e inspira encontros, diálogos e criações. O Vila Velha volta a ser um ponto de referência na cena cultural soteropolitana, com infraestrutura renovada e memória preservada.

