Uma Nova Era do Turismo Regenerativo
No extremo sul da Bahia, Porto Seguro, um dos destinos mais emblemáticos do turismo brasileiro, está passando por uma significativa metamorfose. A cidade, famosa por seu sol, belas praias e festas vibrantes, agora se dedica a um reposicionamento baseado em práticas de sustentabilidade e turismo regenerativo, visando oferecer experiências mais autênticas e responsáveis aos visitantes.
No contexto atual, onde viajantes do mundo todo buscam não apenas relaxar, mas também se conectar de maneira mais profunda com os lugares que visitam, Porto Seguro aposta em iniciativas que vão além da preservação ambiental, focando na valorização das comunidades locais, da cultura e dos ecossistemas.
A nova estratégia foi anunciada pelo secretário de Turismo e Cultura, Guto Jones, que enfatizou a necessidade de um avanço no perfil do visitante. “Porto Seguro já é um destino consolidado no turismo, especialmente no cenário nacional. No entanto, é crucial que apresentemos novidades que reforcem nosso diferencial”, declarou.
Com isso, o município tem investido em experiências que ultrapassam o turismo tradicional, com ênfase em opções como turismo sustentável e regenerativo, que incluem visitação a parques nacionais, observação de aves, turismo rural e experiências comunitárias.
Da Preservação à Regeneração
O conceito de turismo sustentável busca minimizar impactos negativos, preservar recursos naturais, respeitar culturas locais e estimular a economia regional. O turismo regenerativo, por sua vez, vai além: visa restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e gerar um impacto positivo duradouro. Essa mudança de mentalidade é crucial, tanto para gestores quanto para turistas.
Em Porto Seguro, Guto Jones destaca iniciativas práticas, como visitas ao Parque Nacional do Pau Brasil e ao Parque Nacional do Monte Pascoal, onde as atividades de observação da fauna e flora se tornaram um atrativo. “Quando falamos de turismo regenerativo, estamos nos referindo à preservação de aves e espaços verdes, além da valorização da nossa fauna e flora”, afirmou.
Envolvendo as Comunidades Locais
Um dos principais pilares desse novo modelo é o engajamento das comunidades locais. Durante entrevista exclusiva ao Portal A TARDE, no evento WTM Latin America, em São Paulo, o secretário mencionou que locais como Trancoso estão se destacando com empreendimentos que promovem a agricultura comunitária e a produção local de alimentos.
“Esses projetos envolvem os moradores, utilizam produtos locais e proporcionam uma experiência única aos turistas”, ressaltou. Exemplos como o beach club Almar e o espaço Suá, que oferecem alimentos, mel e chocolate produzidos localmente, são uma forma de conectar os visitantes com a origem do que consomem.
Para Guto Jones, essa abordagem não só fortalece a economia local, como também cria uma cadeia mais justa e sustentável.
Valorização da Cultura Indígena
O turismo regenerativo em Porto Seguro também destaca a importância dos povos originários. A região é lar de cerca de 29 aldeias indígenas, muitas abertas para visitação responsável. Eventos culturais, como o Araguaxã, que reúne diversos grupos Pataxó, são essenciais para reforçar essa conexão cultural.
Um Novo Perfil de Turista
A transformação em Porto Seguro também reflete a evolução no comportamento dos viajantes, especialmente após a pandemia. “Hoje, o turista busca vivenciar, entender o local e se conectar com a cultura e a natureza”, explicou o secretário.
Sustentabilidade: Uma Exigência Global
Gabrielle Andrade, coordenadora de ESG da Embratur, destaca que o movimento de Porto Seguro está alinhado com uma demanda crescente por práticas sustentáveis. “A Bahia é um ícone do Brasil, e o fortalecimento do afroturismo está intimamente ligado à sustentabilidade e à inclusão”, afirmou.
Ela ressalta que as práticas sustentáveis passaram a ser uma exigência do mercado global. “Devemos continuar buscando esse caminho, pois o mercado internacional exige cada vez mais responsabilidade em medir os impactos que causamos e um compromisso com o outro e com o planeta”, concluiu.
O Futuro de Porto Seguro
Guto Jones afirmou que a aposta em turismo regenerativo representa uma virada estratégica que vem sendo construída ao longo dos anos. “Desde 2010, já sentíamos a necessidade de apresentar novos corredores turísticos. Após 2020, o foco foi em novas experiências. E agora, estamos direcionados à preservação e ao turismo regenerativo”, revelou.
O secretário finaliza destacando que o foco atual é na diversidade de experiências e na conservação do ambiente natural. “Precisamos conservar nossa área, além de atender a um novo perfil de turista que busca experiências qualificadas e sustentáveis”, finalizou.
Com 90 quilômetros de praias e uma rica combinação de natureza, cultura e história, Porto Seguro está mostrando que é possível evoluir sem perder sua essência e, mais importante, contribuir ativamente para um futuro mais sustentável. Neste novo cenário de turismo global, Porto Seguro não quer ser apenas um destino, mas sim um lugar onde o turista possa viver e cuidar da natureza e cultura locais.

