O Desafio do Aumento do Lixo nas Férias
A alta temporada de verão na Bahia, repleta de férias e festividades, gera um aumento alarmante na produção de resíduos sólidos. Cidades turísticas como Salvador, Porto Seguro, Morro de São Paulo e Chapada Diamantina enfrentam sérios problemas relacionados à coleta e gerenciamento de lixo, resultado do grande fluxo de visitantes e do consumo elevado durante este período. Com a chegada de turistas, a pressão sobre os sistemas de coleta se intensifica, evidenciando a necessidade urgente de estratégias de gestão mais eficazes.
Em uma conversa exclusiva com o Portal A TARDE, a engenheira ambiental Mila Fernanda Oliveira, que atua na RETEC Resíduos, detalhou a situação. Segundo ela, “o aumento de resíduos é especialmente notável em áreas de grande circulação, como praias e centros históricos. O problema não reside apenas no volume gerado, mas também na falta de um planejamento adequado para a alta temporada, que inclui a integração com cooperativas de catadores e a conscientização sobre o comportamento dos geradores de resíduos.”
Com um maior número de pessoas frequentando essas localidades, a demanda por serviços de alimentação e entretenimento aumenta. Isso resulta em uma quantidade significativa de produtos descartáveis utilizados, tornando o desafio da limpeza urbana ainda mais complexo. Desta forma, os sistemas de coleta enfrentam um volume de lixo muito maior em um curto espaço de tempo.
O Que Contribui Para o Aumento dos Resíduos?
Entre os tipos de resíduos que mais crescem durante a temporada de verão estão:
- Restos de comida e lixo orgânico;
- Embalagens plásticas, latas e garrafas;
- Copos descartáveis, especialmente em festas e eventos;
- Vidro, com predominância de embalagens de bebidas;
- Papel e papelão provenientes do comércio.
O Estado da Bahia enfrenta sérias consequências quando a gestão do lixo não é realizada de maneira adequada. Mila acrescenta que “o descarte irregular pode levar à poluição de praias, rios e manguezais, além de prejudicar a fauna marinha, gerar odores desagradáveis, aumentar a presença de pragas e entupir bueiros, o que pode resultar em alagamentos.”
Além disso, a má gestão de resíduos traz impactos ambientais significativos, como:
- Contaminação de solo e águas por chorume;
- Sobrecarregamento de aterros sanitários e reabertura de lixões;
- Poluição nos oceanos devido ao acúmulo de plásticos;
- Aumento de vetores de doenças e riscos à saúde pública;
- Pressão sobre catadores e cooperativas de reciclagem.
Impactos no Turismo e na Economia Local
Esses problemas não afetam apenas o meio ambiente, mas também a imagem das cidades turísticas e a economia local. “Quando a gestão de resíduos não é adequadamente planejada, com base em dados estatísticos e soluções inovadoras, os impactos podem ser sutis no curto prazo, mas acabam prejudicando a competitividade turística e elevando os custos públicos a longo prazo”, explicou a ambientalista.
Para mitigar esses desafios, é fundamental que moradores, comerciantes e turistas desempenhem um papel ativo na redução dos impactos causados pelo acúmulo de lixo.
Como Contribuir para Reduzir o Acúmulo de Resíduos?
Moradores: devem separar os recicláveis, seguir os horários de coleta e evitar descartar lixo nas ruas e praias.
Comerciantes: podem diminuir o uso de descartáveis, disponibilizar lixeiras bem identificadas, separar corretamente os resíduos recicláveis e colaborar com cooperativas de catadores. É fundamental também que dêem o destino correto ao óleo de cozinha usado.
Turistas: precisam levar seu lixo até as lixeiras, evitar deixar resíduos em praias ou trilhas, optar por itens reutilizáveis e respeitar as regras locais de limpeza urbana. Cuidar dos locais visitados é uma forma de demonstrar respeito tanto à cidade quanto ao meio ambiente.
Os Principais Desafios Enfrentados na Bahia
De acordo com Mila Oliveira, a Bahia enfrenta um grande desafio na gestão de resíduos durante a alta temporada, que é equilibrar os picos de geração de lixo com sistemas projetados para atender à média anual de resíduos. O problema é exacerbado pela falta de coordenação entre os órgãos responsáveis e a escassez de iniciativas de prevenção.
“Sem contratos flexíveis, um sistema robusto de destinação e a corresponsabilização do setor turístico, enfrentamos a repetição desses problemas a cada verão”, advertiu. A especialista enfatiza que o planejamento adequado é fundamental para garantir que a cidade se mantenha limpa durante o aumento no fluxo de visitantes. Entre as melhores práticas para lidar com a situação, ela sugere:
- Coordenação, coleta de dados e fiscalização;
- Aumento na coleta e limpeza durante a alta estação;
- Pontos extras de descarte em áreas turísticas;
- Apoio a cooperativas de reciclagem;
- Campanhas educativas acessíveis;
- Fiscalização de grandes geradores de resíduos.
“Embora a alta estação traga alegria e movimentação, também exige um cuidado redobrado com os resíduos gerados. Quando cada pessoa faz sua parte, conseguimos aproveitar o turismo de forma sustentável. Uma cidade limpa não é aquela que mais se limpa, mas sim a que menos se suja”, concluiu Mila.

