Transformação Urbana e Mobilidade
A cidade de Salvador está prestes a passar por uma grande transformação com a implementação do Veículo Leve Sob Trilhos (VLT). O projeto, que inclui 43 paradas e uma previsão de expansão para 50 pontos, busca integrar o sistema metroviário da cidade com Lauro de Freitas e proporcionar uma revitalização nas áreas urbanas. Essa mudança não se limita apenas à mobilidade, mas também promete impactar a economia local e a qualidade de vida dos cidadãos que residem nas regiões atendidas pelo novo modal.
O Lote 1 do VLT, que parte da Ilha de São João em Simões Filho e vai até o Comércio, está programado para iniciar suas operações nos próximos meses, com expectativa de iniciar ainda no primeiro semestre deste ano. Com uma extensão total de 39.961 metros de trilhos, o VLT não apenas facilitará o deslocamento entre os principais pontos da capital, mas também promoverá uma revitalização urbanística significativa no entorno, unindo conforto e sustentabilidade.
Linhas e Estrutura do VLT
O VLT será composto por três linhas principais: Linha 1 (Ilha de São João/Comércio), Linha 2 (Paripe/Águas Claras) e Linha 3 (Águas Claras/Piatã). Segundo informações do projeto final, o total de urbanização previsto é de 446.715,12 m², englobando obras de requalificação de praças, construção de acessos viários, passeios e ciclovias, além de um Parque Linear e uma nova orla no Subúrbio.
Para garantir a qualidade do espaço urbano, as obras incluirão a requalificação de praças, a criação de ciclovias, a construção de um parque linear entre Calçada e Lobato, acessos viários e áreas verdes. Essas intervenções visam não apenas embelezar a cidade, mas também proporcionar um ambiente mais saudável e acessível para todos os cidadãos.
Obras de Drenagem e Sustentabilidade
A drenagem e macrodrenagem são também prioridades no projeto do VLT, com a instalação de mais de 16.249,66 metros de sistemas de drenagem para acabar com alagamentos e enchentes. Os trechos contemplados incluem a ligação entre Calçada e Comércio, entre outros. As contenções e encostas, com 39.115 m², serão focadas em trechos críticos, especialmente na orla do Subúrbio e Estrada do Derba.
Além disso, a sustentabilidade estará presente em diversas ações do projeto. O plantio de manguezais na região do Lote 1 é uma das medidas que visa fortalecer o ecossistema local e criar barreiras naturais para proteger as comunidades litorâneas. Estão previstas áreas de plantio que totalizam 3.813 metros de extensão, contribuindo para a preservação ambiental.
Para o Lote 2, o projeto prevê o plantio de mais de 4.200 árvores, incluindo espécies como ipê rosa, jatobá, pau-ferro e jacarandá nas paradas do VLT. Rafael Viana, urbanista com mestrado em Urbanismo pela Ufba, questionou a eficácia da compensação das perdas ambientais, destacando a importância de equilibrar o desenvolvimento urbano com a preservação ambiental.
Impactos e Expectativas
O secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Joaquim Neto, expressou confiança nas intervenções associadas ao VLT, ressaltando que o modal trará rapidez e conforto, além de fomentar o desenvolvimento econômico. “Esperamos que este transporte de excelência contribua para o crescimento da região do litoral norte e da região metropolitana de Salvador”, disse o secretário, enfatizando que, apesar dos altos investimentos necessários, o projeto também se preocupa com a criação de espaços de convivência e áreas verdes.
Estimativas da Companhia de Transportes da Bahia (CTB) indicam que o VLT poderá atender uma demanda entre 150 mil e 180 mil passageiros por dia, com cada bloco tendo capacidade para transportar até 400 pessoas por viagem. Essa previsão reforça a importância do novo sistema para a mobilidade urbana de Salvador, que certamente trará benefícios significativos para a qualidade de vida dos habitantes da cidade.

