Novas Unidades para a Cultura Nordestina
Salvador foi recentemente selecionada pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para abrigar o quarto Centro Cultural da instituição, que se destaca como o maior banco de desenvolvimento da América Latina. O novo espaço será instalado no edifício que anteriormente albergou o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), situado no Largo do Cruzeiro do Pelourinho, um dos pontos centrais do Centro Histórico reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Segundo informações do Correio 24 Horas, a Superintendência Estadual da Bahia do BNB confirmou a criação desse centro, embora tenha ressaltado que ainda aguarda a finalização dos trâmites legais para o anúncio oficial.
O projeto em Salvador também inclui uma segunda unidade no bairro da Barra, onde a agência da Avenida Marques de Leão será reformulada em um espaço multiuso que contará com três andares e um terraço (rooftop) voltado para exposições e outras iniciativas culturais. Este projeto está mais adiantado do que a sede do Pelourinho, pois a licitação já foi finalizada, e a empresa responsável pelas obras foi contratada, com previsão de entrega para o final de 2026.
Transformação do Recife Antigo
No Recife, as negociações para a aquisição do imóvel que abrigou o Centro Cultural dos Correios, localizado na Avenida Marquês de Olinda, estão na fase final. Este espaço é parte da decisão dos Correios de vender parte de seu patrimônio imobiliário e será convertido em uma unidade do Centro Cultural do BNB, com as obras previstas para iniciar no primeiro semestre de 2026. O novo centro no Recife terá a missão de abrigar obras do acervo artístico da instituição, que atualmente está localizado na sede do banco em Fortaleza (CE).
Investimentos Crescentes em Cultura
Essa expansão física dos centros culturais do BNB é acompanhada por um investimento recorde na área cultural. Para 2026, os recursos destinados à cultura ultrapassam R$ 31,3 milhões, representando um crescimento de 75% em relação aos R$ 17,8 milhões alocados em 2025. De acordo com José Aldemir Freire, diretor de Planejamento da instituição, esses recursos são aplicados diretamente em diversas atividades culturais, incluindo cachês, montagem de exposições, apresentação de espetáculos, oficinas e manutenção de espaços culturais.
No ano passado, os recursos foram distribuídos em aproximadamente 4.300 atividades, atingindo cerca de 500 mil pessoas nos estados que compõem a área de atuação do banco, que inclui os nove estados do Nordeste, além de partes de Minas Gerais e do Espírito Santo. O BNB também liberou outros R$ 28 milhões em patrocínios culturais durante o mesmo período.
Centros Culturais como Motores de Desenvolvimento
O BNB vê os novos centros culturais não apenas como espaços para apreciar a arte, mas como importantes ferramentas de desenvolvimento econômico. Wanger de Alencar, presidente da instituição, enfatizou que a estratégia Banco do Nordeste Cultural visa não só formar novos artistas e plateias, mas também gerar oportunidades de negócios, impactando diretamente o comércio local, a produção de eventos e a contratação de profissionais. Esse discurso foi proferido durante o lançamento da programação cultural anual para Pernambuco, que ocorreu em 4 de fevereiro de 2026, na Galeria Janete Costa, localizada no Parque Dona Lindu, no Recife.
Expansão da Rede de Centros Culturais
No momento, o BNB já opera três Centros Culturais em sua rede: o de Fortaleza (CE), inaugurado em julho de 1998, com uma área de 3.580 m², localizado na sede da instituição; o de Juazeiro do Norte (CE), situado no Cariri; e o de Sousa (PB), localizado no Alto Sertão Paraibano. Com a incorporação das novas unidades em Salvador e Recife, o BNB marca uma importante expansão, alcançando capitais fora do Ceará e posicionando os centros em áreas de intenso fluxo turístico e cultural das duas principais economias do Nordeste.
O cronograma para a abertura da sede no Pelourinho ainda está condicionado à conclusão dos trâmites junto ao órgão responsável pelo patrimônio histórico, e até o momento, não há uma data definida publicamente. Por outro lado, a unidade da Barra tem entrega prevista para o final de 2026, enquanto as obras no Recife Antigo devem começar no primeiro semestre do mesmo ano.

