Acusações de Financiamento e Relações Políticas
O recente caso Master tem trazido à tona questões críticas que afetam as principais forças políticas da Bahia. O ex-juiz Sergio Moro, que deve se filiar ao PL no próximo dia 24, está se aproximando de Flávio, que promete apoio em sua candidatura ao governo do Paraná. Essa movimentação acontece em meio a denúncias que estremecem a política baiana.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que ACM Neto, pré-candidato ao governo do estado, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, gerido pela Reag. Os valores foram transferidos ao ex-prefeito de Salvador logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. Em resposta, ACM Neto alegou que a quantia se refere a serviços de consultoria prestados por sua equipe.
Além disso, a nora do atual governador, Wagner, também aparece nas investigações, tendo recebido cerca de R$ 11 milhões do Master. Essa quantia foi destinada à empresa BK Financeira, da qual ela é proprietária. Wagner, por sua vez, declarou que não tem conhecimento de qualquer investigação e que não participou de negociações em favor da empresa citada, buscando se distanciar das acusações.
Interesses Partidários e Impacto nas Eleições
As ligações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com membros do PT, como o ministro Rui Costa, também estão sendo analisadas. A situação se torna ainda mais complexa, uma vez que o escândalo afeta a disputa pelo governo da Bahia, onde Wagner deve disputar a reeleição ao Senado e Jerônimo Rodrigues é o candidato do PT ao governo estadual.
Alguns integrantes do União Brasil, partido de ACM Neto, tentam reverter o desgaste político para o PT, afirmando que a raiz do caso de fraudes bancárias remonta às gestões do partido na Bahia, durante a época em que Rui Costa era governador. A privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo, foi um dos pontos levantados pelas oposições. O negócio, arrematado em 2018 por Augusto Lima, levantou dúvidas sobre a transparência das transações.
Consequências Para o Cenário Eleitoral
Rui Costa privatizou a Ebal, que continha ativos como o Credcesta, um cartão de crédito consignado voltado a servidores e aposentados. Esse ativo foi incluído na venda da empresa após tentativas de leilão sem sucesso. A crítica é que a operação do Credcesta foi a chave que viabilizou a privatização. Segundo o deputado José Rocha, do União-BA: “Tudo começou com o PT na Bahia, com o Credcesta. O caso Master vai interferir na campanha de todo mundo que estiver envolvido”.
Enquanto isso, o ministro Rui Costa defende sua posição, afirmando que sua decisão foi baseada na viabilidade do negócio. Outra ligação intrigante é a de Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado de Wagner, que é sócia da BK Financeira, recebendo repasses do Master desde 2021.
Posturas e Estratégias Políticas
O União Brasil mantém uma postura cautelosa sobre como usar as informações do caso contra o PT. ACM Neto ainda não se manifestou sobre o escândalo, focando na estratégia de marketing de sua campanha. Ele contratou o marqueteiro João Santana, conhecido por campanhas vitoriosas do PT, mas que atualmente critica o governo Lula.
Do outro lado, os petistas veem uma oportunidade de distanciar a legenda das acusações. O governador Jerônimo Rodrigues, rival de ACM Neto, afirmou: “Espero que a Justiça tome conta, monitore e mostre a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça seu papel, esse é um tema muito sério”.

