Celebração Tradicional e Impacto Cultural
No sábado, dia 4 de abril de 2026, a cidade de Serrinha, localizada na zona turística Caminhos do Sertão, se destacou novamente como um dos principais destinos do turismo religioso na Bahia. Isso se deu graças à realização da icônica Procissão do Fogaréu, que aconteceu na quinta-feira, 2 de abril, e celebrou seus 96 anos de história. O evento atraiu aproximadamente 25 mil fiéis, incluindo tanto moradores quanto turistas, reafirmando seu papel não apenas como uma expressão de fé católica, mas também como um importante patrimônio cultural e motor econômico da região.
A Procissão do Fogaréu, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2019, faz parte do calendário oficial da Semana Santa no estado. Seu apelo reúne não apenas a população local, mas também visitantes provenientes de diversas cidades, solidificando Serrinha como um polo religioso no interior da Bahia.
Rituais Religiosos e Encenação da Paixão de Cristo
A programação do evento começou pela manhã com a Missa dos Santos Óleos, um rito litúrgico que simboliza a unidade da Igreja e a consagração dos óleos usados nos sacramentos. Em seguida, à noite, os fiéis participaram da Missa da Ceia do Senhor, que precedeu a tradicional encenação da Paixão de Cristo, realizada por talentosos artistas locais.
O ponto alto da celebração foi a saída da procissão da Catedral de Serrinha. Os participantes, portando velas acesas, iniciaram um percurso simbólico que representa o começo do sofrimento de Jesus Cristo. A caminhada se estendeu por aproximadamente cinco quilômetros até a Colina de Nossa Senhora Sant’Ana, reunindo milhares de pessoas em um ambiente de silêncio, oração e contemplação.
O evento contou com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), que tem se empenhado na promoção de manifestações religiosas que possuam potencial turístico.
Crescimento Econômico e Reforço no Turismo Local
Os impactos da Procissão do Fogaréu são perceptíveis nas métricas econômicas locais. O prefeito Cyro Novais destacou que a celebração vai além de sua importância religiosa, consolidando-se como um ativo cultural e turístico significativo.
Conforme o gestor, durante o período da Semana Santa, observou-se um aumento notável no fluxo de veículos, na ocupação hoteleira e na movimentação do comércio. A presença de visitantes de outras cidades e estados tem um papel direto na dinamização da economia de Serrinha, trazendo benefícios não apenas para o setor hoteleiro, mas também para o comércio local, que se viu aquecido pela demanda.
Experiências dos Fiéis e Significado Espiritual
Para aqueles que participaram, a Procissão do Fogaréu vai muito além de uma simples festividade; é uma experiência espiritual profunda. O cientista político Gabriel Cavalcante, de Salvador, expressou como essa vivência religiosa é fundamental. “A procissão é um momento de reflexão e preparação para a Sexta-feira da Paixão e a Páscoa, unindo fé, caminhada coletiva e uma encenação que dá novo significado ao período litúrgico”, ressaltou.
O advogado Gustavo Carneiro, natural de Alagoinhas, comentou sobre a conexão familiar e cultural que nutre com a tradição. “Todo ano, faço questão de participar. Para mim, é uma experiência que mistura religiosidade e a minha identidade cultural”, afirmou. A estudante Mari Gabrielle da Silva, do município de Mauriti, no Ceará, também destacou a força da manifestação, que reúne milhares com um propósito comum, evidenciando valores religiosos que são transmitidos ao longo das gerações.
Patrimônio Imaterial e Preservação Cultural
O reconhecimento da Procissão do Fogaréu como patrimônio imaterial enfatiza sua importância não apenas do ponto de vista religioso, mas também histórico e cultural. A tradição, que se mantém viva há quase um século, demonstra a continuidade de práticas que preservam a memória e a identidade do povo baiano.
A encenação da Paixão de Cristo, a caminhada com velas e a participação comunitária são elementos que consolidam esse evento como uma das mais expressivas manifestações da Semana Santa no interior do estado. A integração entre fé, cultura e turismo revela um modelo de valorização de tradições que, historicamente, estruturam a vida social e religiosa das comunidades brasileiras.

