Casos de Supergripe Aumentam na Bahia
A supergripe, uma forma agressiva de influenza, tem gerado preocupação na Bahia, especialmente em Salvador. O crescimento alarmante de 191,95% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pela Influenza foi registrado nos primeiros meses de 2026, aumentando de 87 para 254 registros oficiais, conforme dados da Secretaria de Saúde do Estado. Apesar do aumento geral nas doenças respiratórias ser moderado, a gravidade dos casos relacionados à Influenza A tem chamado a atenção das autoridades sanitárias.
Uma moradora de Salvador, que preferiu não se identificar, compartilhou sua experiência com a supergripe, que começara com uma simples coriza. “Eu comecei, há quinze dias, com coriza e tosse. Após consulta com um otorrino, fui orientada a realizar exames e tomar medicamentos”, contou ela ao Portal M!. O quadro, no entanto, se agravou rapidamente. “No dia 24 de março, tive uma piora intensa. Sentia dores por todo o corpo, calafrios e febre de 40º”, relatou, destacando a gravidade da situação.
A paciente mencionou que mesmo com a vacinação em dia, nunca havia enfrentado um quadro tão severo. “Estava com dificuldade de falar e com limitações respiratórias. Esta gripe tem se mostrado realmente complicada e longa para curar”, afirmou. Sua mãe, idosa, também apresentou sintomas graves, com a saturação de oxigênio muito baixa, o que reforça a gravidade do quadro que atinge populações vulneráveis.
Além da moradora, dados da Fiocruz indicam que Salvador faz parte das 14 capitais brasileiras em situação de risco elevado, com um aumento de quase 37% na letalidade do vírus nas últimas quatro semanas. Contudo, um ponto positivo é que o número de óbitos por complicações respiratórias no estado caiu 26%, com 62 mortes registradas em 2026, contra 84 no ano anterior.
Sinais de Alerta para a Supergripe
De acordo com a biomédica Natália Barth, a supergripe se distingue da gripe comum pela sua intensidade e evolução rápida. “O que estamos chamando de ‘supergripe’ é caracterizado por uma replicação viral acelerada, que provoca inflamações no trato respiratório inferior em um curto espaço de tempo”, explicou a especialista. Os pacientes relatam um estado de exaustão extrema, com febre alta que não diminui mesmo com medicamentos.
Os sinais de alerta mais significativos são a dificuldade respiratória e a aceleração da respiração. Barth enfatiza que casos de dispneia, onde o paciente precisa esforçar músculos do pescoço para respirar, indicam que o pulmão já está comprometido. Outro aspecto importante é a oxigenação do sangue; níveis abaixo de 94% indicam que a oxigenação não está sendo realizada adequadamente.
Com a chegada do período de chuvas e temperaturas mais baixas, as infecções podem aumentar ainda mais, tornando a vacinação uma prioridade. A Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) informou que apenas 11,20% do público-alvo está vacinado até o momento, distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Cuidados e Prevenções Necessárias
A automedicação é um ponto crítico ressaltado por especialistas. Barth alerta para o uso indevido de xaropes antitussígenos, que podem mascarar sintomas importantes e agravar o acúmulo de secreção nos pulmões. “O paciente pode se sentir melhor por um tempo, mas essa prática pode levar a complicações, como pneumonia”, alertou.
Além das recomendações sobre a vacinação e cuidados com a automedicação, a gastroenterologista Dra. Maria Júlia Colossi também aponta que o sistema digestivo pode ser afetado pela Influenza. Embora a doença seja principalmente respiratória, a inflamação sistêmica pode causar sintomas gastrointestinais. “Em casos associados à Influenza, os pacientes podem apresentar coriza, tosse e febre, além de questões digestivas”, explicou.
Colossi também destaca a importância de uma alimentação adequada durante o período de recuperação, sugerindo a hidratação e a ingestão de alimentos leves que não sobrecarreguem o sistema digestivo. “Caldos e sopas nutritivas são altamente recomendados enquanto alimentos gordurosos e açucarados devem ser evitados”, complementou.
É evidente que a supergripe representa um desafio significativo à saúde pública na Bahia, e a população deve permanecer atenta aos sinais de alerta e seguir as orientações médicas com rigor.

