Iniciativa de Transparência da Kopenhagen
A Kopenhagen, famosa marca brasileira de chocolates, anunciou nesta quarta-feira (6) o lançamento do selo K.O.P (Kopenhagen de Origem Protegida), visando aumentar a transparência em sua cadeia produtiva. A novidade, que será vista em cerca de 80 produtos da marca, representa aproximadamente 50% do seu portfólio, estará disponível a partir de agosto deste ano. Além do selo, a Kopenhagen disponibilizará uma plataforma digital que oferece informações detalhadas sobre o processo de produção, desde a seleção do cacau nas fazendas até a confecção artesanal dos chocolates na fábrica.
Fernando Vichi, CEO da Kopenhagen, destaca que essa medida é uma forma de consolidar iniciativas socioambientais que já eram adotadas pela empresa ao longo dos anos. “Embora essas práticas já existissem, estavam um pouco dispersas. Agora, com o novo selo, queremos comunicar de forma mais clara e organizada nossos esforços para os consumidores”, afirmou Vichi.
Compromissos Sociais e Ambientais
O selo K.O.P não apenas representa um novo padrão de transparência, mas também reforça os compromissos da Kopenhagen com o meio ambiente. Entre as metas estabelecidas, estão a redução das emissões de gases do efeito estufa, o tratamento integral de resíduos e a garantia de que o cacau utilizado é cultivado sem desmatamento e sem trabalho infantil.
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Atualmente, cerca de 650 produtores fornecem cacau para a marca, no entanto, o selo não indicará a origem específica do chocolate que chega ao consumidor. “Identificar cada um dos agricultores seria complicado, mas esperamos evoluir nesse sentido futuramente”, comentou Pedro Velardo, responsável pelo marketing e produtos da Kopenhagen.
Desafios na Produção de Cacau
Um relatório da Nestlé, publicado em 2025, projeta uma queda de pelo menos 2% na produção de cacau no Brasil até 2040, em comparação com 2024, devido às mudanças climáticas. O CEO da Kopenhagen alertou que o impacto vai além do aspecto econômico e afeta diretamente a qualidade do chocolate produzido.
“Mudanças climáticas visíveis têm um efeito profundo na agricultura, o que compromete toda a cadeia produtiva”, afirmou Vichi. Igor Mota, gerente de agricultura para cacau da Nestlé Brasil, complementa que o selo incentivará práticas que visam a reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) por tonelada de cacau. A Kopenhagen já começou a monitorar as emissões em suas fazendas desde 2024 e os resultados serão divulgados em breve.
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Fonte: ctbanews.com.br
A Fazenda Engenho D’Água e o Impacto do Selo
A Fazenda Engenho D’Água, situada em São Francisco do Conde (BA), a cerca de 70 km de Salvador, fornece cacau para a Kopenhagen há quatro anos. Com 69 hectares de área produtiva, a fazenda adota um sistema agroflorestal, cultivando banana e seringa em conjunto com os cacaueiros.
Mário Augusto Ribeiro, proprietário da fazenda desde 2002, espera que o novo selo traga maior reconhecimento e recompensas financeiras aos agricultores. “Hoje, o preço do cacau está muito baixo. A produção está insustentável, pois o custo de uma arroba de cacau é de R$ 300, enquanto o que recebemos é em torno de R$ 220”, lamentou.
História da Fazenda e o Futuro da Cultura Cacaueira
A Fazenda Engenho D’Água, com uma história que remonta a 1610, passou por diversas transformações ao longo dos anos. Até a década de 1940, a cana-de-açúcar era o principal cultivo, mas a Segunda Guerra Mundial trouxe desafios econômicos que levaram ao início do cultivo de cacau. Após um período de declínio devido a pragas, a seleção de variedades resistentes possibilitou o fortalecimento da cultura.
Contudo, a mudança climática surge como a maior ameaça atual. Ribeiro ressalta a importância das condições climáticas adequadas: “Para produzir qualquer produto agrícola, precisamos seguir as melhores práticas agronômicas, mas, acima de tudo, dependemos da natureza, com chuva e sol no tempo certo. Alterações climáticas podem desorganizar completamente esse processo”, concluiu.
As amêndoas de cacau colhidas na região seguem para grandes indústrias, como Barry Callebaut e Cargill, antes de chegarem à fábrica da Kopenhagen, localizada em Extrema (MG), que opera com 765 funcionários e consome entre 1.500 a 2.000 toneladas anuais de licor e manteiga de cacau. Fundada em 1928, a Kopenhagen continua a produzir itens que datam do início de sua trajetória, como a famosa Bala de Leite, criada em 1943 e ainda produzida de maneira artesanal.

