Resposta oficial às críticas sobre a tarifa turística
O prefeito de Cairu, Hildécio Meireles, usou suas redes sociais para responder às acusações do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) contra a Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA). Kataguiri afirmou que a tarifa estaria prejudicando o turismo em Morro de São Paulo, mas o prefeito contestou veementemente essa alegação, destacando que o debate público deve se basear em fatos. Meireles esclareceu que a TUPA não é uma cobrança recente e que, ao longo dos anos, o turismo na região não apenas se manteve, como cresceu, firmando Morro de São Paulo como um dos destinos mais procurados do Brasil.
Adiado reajuste e transparência na gestão dos recursos
Um dos pontos centrais da resposta do prefeito foi esclarecer o valor da tarifa. A crítica do deputado se baseou no suposto reajuste para R$ 90,00 por visitante, um valor que ainda não entrou em vigor. A Prefeitura suspendeu o aumento e manteve a cobrança atual de R$ 70,00 durante a baixa temporada, enquanto trabalha na melhoria da infraestrutura de acesso. O adiamento do reajuste está oficializado no Decreto nº 3.521, que prorroga a nova tarifa para agosto de 2026 em Morro de São Paulo e dezembro de 2026 em Boipeba. Meireles também ressaltou que a prestação de contas da TUPA é pública e atualizada mensalmente, podendo ser consultada por qualquer cidadão no site oficial do município.
Desafios fiscais e impacto no cotidiano do arquipélago
Cairu enfrenta um desafio fiscal singular: apesar de ter cerca de 18 mil habitantes, recebe aproximadamente 800 mil visitantes por ano, dos quais 400 mil apenas em Morro de São Paulo. Os repasses financeiros da União e do Estado são calculados com base na população residente, o que não cobre os custos gerados pela população flutuante que utiliza os serviços públicos locais. A TUPA foi instituída para suprir essa lacuna, financiando, por exemplo, o transbordo diário de resíduos sólidos que ultrapassam um milhão de quilos por mês, manutenção da infraestrutura turística, iluminação pública, saúde 24 horas, segurança náutica, fiscalização ambiental e a preservação das piscinas naturais. Somente em maio de 2026, a tarifa financiou cerca de R$ 1,3 milhão em serviços essenciais. Em 2024, os gastos municipais relacionados ao turismo ultrapassaram R$ 17 milhões, enquanto a arrecadação da tarifa cobriu menos da metade, gerando um déficit superior a R$ 5,9 milhões.
Contra-argumentos e convite para diálogo parlamentar
O prefeito também criticou o uso inadequado de imagens pelo deputado, que comparou cenas de alta temporada com registros da baixa estação para sugerir declínio no turismo. Meireles explicou que a diminuição do fluxo de visitantes em determinados períodos é natural e que imagens pontuais não refletem a realidade contínua do destino, que recebe turistas diariamente ao longo do ano. Para além da defesa da tarifa, o prefeito convidou Kataguiri a visitar o arquipélago e propôs que ele lidere no Congresso um debate sobre novas fontes de financiamento para municípios turísticos e insulares, uma pauta relevante para diversas cidades brasileiras com desafios semelhantes. “Morro de São Paulo não está destruído. É um destino reconhecido nacional e internacionalmente, com economia ativa, geração de empregos e uma gestão comprometida com a preservação do patrimônio natural e a qualidade de vida da população e dos visitantes”, concluiu Meireles.
Leia também: Turismo multigeracional em Cairu: o destino perfeito para viajar em família na Bahia
Leia também: Governo Jerônimo autoriza R$ 29 milhões em obras para impulsionar turismo e infraestrutura em Cairu

