Início da Operação e Prisões
Uma operação policial deflagrada em Salvador e Lauro de Freitas cumpre mandados de prisão e busca e apreensão contra seis policiais militares investigados pela morte do adolescente Kaíque Reis dos Santos, 16 anos, e do jovem Mateus Daniel Chagas da Silva, 21 anos. Até a última atualização, três dos suspeitos já foram presos: a soldada Jamile Maiara Reis dos Santos, detida em Lauro de Freitas; o cabo Arailton Climério Ferreira Júnior, preso no bairro Jardim Nova Esperança, em Salvador; e o soldado Tiago Costa Oliveira, capturado no bairro Garcia, também na capital baiana.
Contexto da Investigação e Acusações
As ordens judiciais foram expedidas pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador. Conforme o Ministério Público, os policiais respondem por homicídios qualificados e fraude processual. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), aponta que as vítimas teriam sido executadas, e que a cena do crime foi alterada, contradizendo a versão inicial de um confronto armado intenso entre as vítimas e os agentes.
O objetivo da operação é coletar provas complementares para aprofundar o inquérito que apura os fatos ocorridos durante a ação policial no bairro São Marcos, em setembro de 2025.
Relembre o Caso
Na manhã de 28 de setembro de 2025, policiais militares realizavam rondas no bairro São Marcos quando encontraram dois homens armados, conforme informou a Polícia Civil na época. Segundo o relato oficial, os homens teriam disparado contra os agentes, que revidaram. Kaíque e Mateus foram socorridos para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), mas não resistiram aos ferimentos.
Entretanto, moradores da região contestaram essa versão. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram os dois jovens baleados sendo retirados desacordados do bairro, carregados por policiais e enrolados em lençóis, enquanto moradores protestavam contra a ação.
Após o episódio, uma manifestação tomou conta da Avenida Gal Costa, com protestos e queima de objetos, em busca de justiça pelas mortes.
Declarações e Reação da Família
Em entrevista à TV Bahia, Joselita dos Santos Cruz, mãe de Kaíque, ressaltou que o filho era estudante e trabalhava em uma barbearia, além de estar prestes a iniciar um novo emprego. Ela negou qualquer envolvimento do adolescente com atividades criminosas e afirmou que ele teria obedecido à ordem dos policiais para levantar as mãos antes de ser baleado.
“Colocaram ele como traficante que foi encontrado com armas e drogas. Meu filho não traficava, não fazia nada disso”, afirmou Joselita.
Afastamento dos Policiais Envolvidos
Em 1º de outubro de 2025, três dias após o ocorrido, a Polícia Militar anunciou o afastamento dos policiais envolvidos nas mortes. Os agentes foram submetidos a depoimentos individuais, acompanhamento psicológico e ficaram fora das atividades operacionais durante as investigações.
A apuração foi conduzida em duas frentes: administrativa, pela Corregedoria-Geral da corporação, e criminal, pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Militar reforçou que não compactua com desvios de conduta e que todos os excessos seriam rigorosamente apurados, assegurando aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Desdobramentos Recentes da Investigação
Quase dez meses após as mortes, a investigação avançou para o cumprimento dos mandados contra os seis policiais militares. O Ministério Público destaca que as evidências reunidas indicam a possibilidade de execução das vítimas e manipulação da cena do crime, divergindo da narrativa inicial apresentada pelos agentes.

