Inovação tecnológica transforma o Semiárido baiano
Desde 2017, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lidera o Projeto Forrageiras para o Semiárido, uma iniciativa que está mudando o panorama da produção pecuária na região. A proposta é criar um ‘mar verde no sertão’ por meio do cultivo de espécies vegetais adaptadas às condições adversas do clima semiárido, como a palma forrageira e diferentes capins. Essas plantas são fundamentais para garantir alimentação aos rebanhos durante os períodos críticos de estiagem.
Seleção rigorosa e aplicação prática na pecuária
Na primeira fase, pesquisadores avaliaram 30 espécies de forrageiras cultivadas em regime de sequeiro, buscando aquelas que melhor resistissem à alta temperatura e à baixa disponibilidade hídrica típicas do Semiárido. Após essa análise, o estudo avançou para a aplicação prática, onde os animais passaram a pastejar nessas áreas experimentais, permitindo observar o desempenho das plantas em condições reais de produção.
Impacto direto na fazenda de Miguel Calmon
Na Fazenda Várzea de Baraúna, em Miguel Calmon (BA), o produtor rural José Santos Souza, de 65 anos, é um exemplo do impacto dessa tecnologia. Com o suporte técnico do projeto, ele adotou o capim Paiaguás em uma área degradada, realizando análise de solo e correção da acidez com calcário para garantir melhores condições de cultivo. O resultado foi um crescimento significativo na produtividade, superando as espécies usadas anteriormente graças à maior capacidade de rebrota e adaptação da planta.
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Atualmente, a propriedade trabalha com silagem, palma forrageira, capins adaptados, pastagens rotacionadas e produção própria de concentrado, elevando a eficiência da produção. José aumentou seu rebanho de 14 para 30 vacas, com produção diária de leite que passou de 40 para cerca de 441 litros, chegando a atingir 615 litros em 2023 com 32 vacas em lactação. A meta é alcançar 500 litros diários regularmente.
Avanços tecnológicos para aumentar a produtividade
Além da seleção de espécies resistentes, o projeto também investe em inovação para ampliar a produção de alimentos para os animais. Em colaboração com diversas instituições, pesquisadores testam um fertilizante foliar à base de moléculas de carbono aplicado diretamente na palma forrageira. Essa tecnologia busca otimizar o uso da adubação nitrogenada e melhorar a qualidade nutricional da forragem, promovendo ganhos concretos na produção pecuária do Semiárido.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Essa iniciativa da CNA demonstra como a tecnologia aplicada à agricultura pode gerar transformação real, aumentando a produtividade e a sustentabilidade da pecuária em regiões com desafios climáticos severos, como o sertão baiano.

