Fechamento inesperado impacta o varejo em Salvador
Na última sexta-feira, 14, consumidores que passaram por diversas regiões de Salvador encontraram as portas das Casas Bahia fechadas sem qualquer aviso prévio. A surpresa foi geral, especialmente para quem planejava compras nas unidades da rede instaladas em pontos estratégicos da capital baiana.
De acordo com a apuração do Portal A Tarde, doze lojas da Casas Bahia encerraram suas atividades em Salvador no mesmo dia, como parte de uma reestruturação nacional que visa reduzir custos e ajustar a operação da varejista diante de resultados financeiros negativos consecutivos.
Unidades fechadas em shoppings e bairros movimentados
Entre as lojas que pararam de funcionar estão as localizadas em shoppings de grande circulação, como o Salvador Shopping e o Shopping da Bahia, além de unidades em ruas comerciais tradicionais, como a Baixa dos Sapateiros e a Avenida Sete de Setembro.
O encerramento das operações surpreendeu também pela ausência de promoções ou liquidações comuns em situações semelhantes. Segundo informações obtidas, os estoques foram recolhidos e encaminhados para centros de distribuição ou redistribuídos para outras lojas, sem previsão de saldão.
Um funcionário consultado pelo Portal A Tarde revelou que, até o momento, não há planos para realizar liquidações, e que os produtos restantes serão devolvidos ou realocados em outras unidades.
Funcionários e futuro das lojas: incertezas permanecem
A situação dos trabalhadores das lojas que fecharam segue indefinida, sem anúncio oficial sobre desligamentos ou remanejamentos. Também não há informações claras sobre como fica o funcionamento das demais lojas da rede na capital baiana.
As doze unidades fechadas são: Baixa dos Sapateiros, Manuel Dias, Avenida Sete de Setembro, Cabula (Silveira Martins), Salvador Shopping, Shopping da Bahia, Shopping Paralela, Shopping Barra, Shopping Piedade, Parque Shopping Bahia, Salvador Norte Shopping e Shopping Bela Vista.
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Em comunicado fixado nas portas, o Grupo Casas Bahia agradeceu os clientes pela confiança e orientou que procurem as lojas mais próximas para continuar o atendimento.
Unidades ainda abertas na região metropolitana
Apesar dos fechamentos, outras unidade permanecem em operação na Bahia. Em Salvador e Região Metropolitana, seguem abertas as lojas localizadas em Cajazeiras, Candeias, Calçada, Camaçari, Pau da Lima, Itapuã, Simões Filho e Dias D’Ávila. Também foi confirmada o fechamento da loja de Itabuna.
Reestruturação nacional mira redução de despesas
O movimento de fechamento em Salvador faz parte de uma reestruturação mais ampla da Casas Bahia que envolveu o encerramento de 298 lojas em todo o Brasil entre os dias 13 e 14 de maio. A ação resultou na demissão de aproximadamente 1,9 mil funcionários, o que corresponde a 6,7% do quadro total da empresa.
Este recuo de quase 29% da rede física acontece após uma sequência de prejuízos bilionários. No primeiro trimestre de 2026, a empresa acumulou uma perda de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior.
Ao longo de 2025, o prejuízo total consolidado alcançou R$ 3 bilhões, triplicando o resultado negativo de 2024.
Desafios financeiros ampliam pressão sobre a rede física
O endividamento dos consumidores e as despesas financeiras elevadas são fatores que limitam o poder de compra e agravam a situação da empresa. Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial para reorganizar sua estrutura de capital, processo que foi concluído após acordo com bancos credores.
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Fonte: acreverdade.com.br
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Fonte: belzontenews.com.br
Apesar da redução da dívida líquida no primeiro trimestre de 2026, a varejista ainda apresenta resultados negativos, impulsionando a necessidade de ajustes na estrutura física e no quadro de funcionários.
Rede física encolhe enquanto vendas digitais crescem
O número de lojas da Casas Bahia caiu de 1.064 em 2024 para 1.042 em 2025, enquanto as operações digitais ganham espaço. Nos últimos 12 meses até março, foram fechadas 26 unidades entre Casas Bahia e Ponto Frio, mas o recente encerramento de 298 lojas em poucos dias mostra uma mudança ainda mais agressiva.
No primeiro trimestre de 2026, a receita bruta consolidada avançou 6,4%, chegando a R$ 8,8 bilhões, puxada principalmente pelo crescimento das vendas online. Os produtos próprios vendidos no ambiente digital cresceram 26%, enquanto as vendas físicas recuaram 1,8%.
A margem bruta da companhia se manteve em 30,3%, refletindo o esforço em equilibrar receita e despesas.
Expectativas para o futuro da rede
A redução da estrutura física e dos custos com pessoal são estratégias para melhorar a geração de caixa e reduzir prejuízos. A companhia monitora de perto o desempenho das unidades e centros de distribuição e encerra operações que não entregam valor.
Para o consumidor baiano, o fechamento das lojas nas regiões mais movimentadas representa um ajuste significativo na oferta local, enquanto o crescimento digital promete mudar a forma como a rede se relaciona com o mercado e seus clientes.

