Alta demanda por regulação hospitalar na Bahia
A Bahia registra diariamente cerca de mil solicitações para regulação de pacientes, número que pode atingir até 1,3 mil em períodos de maior demanda. A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, destacou esses dados em entrevista ao Acorda Cidade, reconhecendo que, apesar dos avanços, o sistema ainda não atende plenamente às necessidades da população.
Ampliação da rede e fortalecimento da atenção básica
Para enfrentar esse cenário, o governo do estado tem investido na expansão da rede de urgência e emergência, além de fortalecer a atenção básica como caminho para a prevenção. “A contratação de leitos é a medida mais imediata para atender a população, já que a regulação equilibra demanda e oferta. Quem precisa de leito de alta complexidade tem na expansão da rede o foco principal, especialmente com medidas de interiorização e regionalização”, explicou Roberta Santana.
O estado implementou 15 novos hospitais, somando quase 6 mil leitos entre rede própria e contratualizada. Além disso, parcerias com municípios têm sido reforçadas para ampliar a capacidade de atendimento e prevenir agravamentos que levam pacientes às unidades de urgência.
Prevenção como estratégia para reduzir casos graves
Segundo a secretária, a prevenção e a realização de exames regulares são fundamentais para evitar que pacientes cheguem em estado grave às emergências. “Quem mantém acompanhamento e controle da saúde consegue evitar a gravidade que leva à necessidade de regulação e internação”, afirmou. Ela observa que o aumento de pacientes graves indica fragilidades na atenção primária à saúde.
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A porta de entrada do sistema são os Postos de Saúde da Família (PSF) e policlínicas, que oferecem serviços especializados. “Pacientes com diabetes e hipertensão descontrolados acabam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), demandando regulação e leito hospitalar. É por isso que firmamos parcerias com os municípios”, completou.
Investimentos em Unidades Básicas de Saúde e cofinanciamento
Atualmente, a Bahia constrói 340 Unidades Básicas de Saúde (UBS) para ampliar o acesso à atenção básica, que é fundamental para a prevenção e o cuidado continuado da população. A responsabilidade pelo atendimento nessas unidades cabe aos municípios.
Além dos recursos federais, o estado aumentou o cofinanciamento para apoiar a manutenção das equipes de Saúde da Família, passando de R$ 1.500 para R$ 5 mil por equipe. Para receber esse valor, os municípios devem cumprir metas relacionadas ao controle de doenças crônicas, vacinação, saúde bucal e pré-natal, reforçando a prevenção e reduzindo a gravidade dos casos.
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Confronto sobre dados da regulação em Feira de Santana
Roberta Santana também rebateu dados apresentados pelo prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, que afirmou ter encaminhado 1.600 pacientes para regulação neste ano. A secretária afirmou que o sistema estadual registrou 10.760 pedidos de regulação no primeiro semestre, número que não condiz com o informado.
“Não podemos ignorar a realidade e dizer que o estado não atua. Feira de Santana depende da rede estadual e a população sabe a quem recorrer”, afirmou. A secretária defendeu o diálogo entre estado e municípios, independentemente de questões políticas, para encontrar soluções conjuntas para os desafios da saúde pública.
“Estamos abertos para discutir e construir soluções. O governador e o estado estão disponíveis para colaborar com qualquer município, pois, na saúde, além da política, existe um paciente esperando atendimento”, concluiu Roberta Santana.

