Economia Criativa como Motor de Desenvolvimento
Na última quinta-feira (27), Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ministro do empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, ressaltou o impacto da economia criativa para o Brasil e a urgência de estruturar esse setor. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, transmitido pela rádio Antena 1 Salvador, ele avaliou a relação entre cultura e negócios, reconhecendo que o país demorou a transformar seu potencial cultural em força econômica efetiva.
Segundo o ministro, a riqueza cultural do Brasil ainda é pouco explorada como fonte de renda e geração de empregos. “O Brasil demorou para fazer políticas para entender que essa grande qualidade artística do nosso povo, um povo criativo, preparado intelectualmente e artisticamente, culturalmente muito rico, poderia significar renda, emprego, geração de uma indústria cultural ou criativa”, afirmou Pereira. Ele destacou exemplos internacionais, como os Estados Unidos, que obtêm receitas bilionárias com setores como cinema e games.
Desafios da Digitalização e o Mercado de Trabalho
Outro ponto levantado foi o impacto da digitalização na indústria cultural. O ministro alertou para a perda de mão de obra qualificada para o mercado externo, já que profissionais brasileiros têm prestado serviços remotamente para empresas estrangeiras, especialmente em home office. “Você trabalha aqui de Salvador para uma empresa de games canadense, ganha em dólar, mas as empresas brasileiras não conseguem esse talento. Então, nós temos que abrir o olho para isso”, explicou.
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Essa dinâmica traz desafios para as empresas locais que ficam desfalcadas de profissionais capacitados, evidenciando a necessidade de políticas que valorizem e mantenham esses talentos no país.
Vocação Regional e Integração de Políticas Públicas
Ao apontar soluções, Pereira ressaltou que o principal desafio é garantir que a indústria cultural aproveite integralmente a riqueza que produz. “É a gente conseguir agregar valor, permitir que essa indústria cultural tenha mecanismos para que ela se empodere mais dos ganhos e do valor que ela gera na cadeia”, detalhou.
O ministro também elogiou o cenário na Bahia, afirmando que o estado está à frente em relação a outras regiões. O Ministério desenvolveu um mapa da economia criativa para orientar ações futuras, com foco em entender as vocações locais e integrá-las a setores como turismo e educação. “O mais difícil de tudo (…) é articular políticas para que a gente consiga casar isso com o turismo, casar isso com a educação”, enfatizou.
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Acordo com a União Europeia e Desafios para Exportação
Durante a entrevista, Pereira destacou a recente conclusão do acordo comercial com a União Europeia, que amplia significativamente o mercado para a cultura e arte brasileiras. Apesar do avanço, ele reconheceu que o processo de exportação ainda enfrenta barreiras burocráticas. “Temos lá um mercado muito propício à arte brasileira, mas exportar é uma chatice, é difícil, é burocrático, então nós vamos ter que nos preparar para isso”, ponderou.
Estratégia para Fortalecer a Economia Criativa
Para fortalecer os empreendedores culturais no país, o ministro resumiu a estratégia da pasta em três etapas principais: identificar as vocações regionais, articular políticas públicas integradas e promover ganhos de produtividade e agregação de valor para que as indústrias culturais possam crescer de forma sustentável.

