Mobilização nacional reforça direitos sociais e trabalhistas
Mais de 50 cidades brasileiras, incluindo Feira de Santana, Salvador e Vitória da Conquista, foram palco nesta segunda-feira (07/09/2026) da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. O movimento reuniu movimentos sociais, sindicatos, entidades populares e organizações religiosas em marchas e atos que defenderam moradia digna, soberania popular e o fim da escala de trabalho 6×1. O tema “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” nortearam a jornada nacional, que ocorreu entre 1º e 12 de setembro, com destaque para o Dia da Independência.
Feira de Santana destaca luta por jornada de trabalho justa
Na Bahia, Feira de Santana concentrou sua mobilização na Avenida Presidente Dutra, reunindo representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (SINTSEF-BA), Sindicato dos Empregados no Comércio (Secofs) e outras entidades sindicais e populares. A principal reivindicação local foi o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, pautas que refletem a relevância do comércio e dos serviços na economia municipal. A discussão ganhou espaço em audiências públicas, como a realizada em 07/05/2026 na Câmara Municipal, que contou com a participação de parlamentares, economistas e sindicalistas.
Salvador e Vitória da Conquista reforçam proteção às mulheres e direitos sociais
Em Salvador, a Ação Social Arquidiocesana (ASA) e diversas pastorais organizaram uma caminhada do Campo Grande até a Praça Castro Alves, reforçando o foco na defesa da vida das mulheres e dos direitos sociais. A cidade também promoveu eventos preparatórios, como seminários sobre feminicídio e cultura de paz. Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o estado registrou 102 feminicídios em 2025, números que sustentam a urgência da pauta contra a violência de gênero.
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Fonte: edemossoro.com.br
Vitória da Conquista incorporou o Grito dos Excluídos ao desfile cívico do 7 de Setembro, com foco em moradia, educação e o fim da escala 6×1. A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) defendeu uma redução ainda maior da jornada para 30 horas semanais sem perda salarial, posicionamento que difere de outras propostas legislativas em tramitação.
Agenda nacional une diversidade de pautas e participantes
A amplitude do movimento inclui reivindicações como reforma agrária, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao racismo e à LGBTfobia, além da luta contra o feminicídio. A coordenação nacional reúne entidades como a Central dos Movimentos Populares (CMP), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Essas pautas transitam entre demandas locais e debates no Congresso Nacional, como a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados em maio para estabelecer a jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e preservação salarial, que segue para análise no Senado.
Feminicídio e moradia: desafios que impactam a vida real
Os dados oficiais revelam a persistência da violência contra as mulheres, com 1.518 feminicídios registrados em 2025 no país. Embora tenha havido queda de 3,2% nos primeiros sete meses de 2026, a estabilidade dos índices na Bahia exige atenção contínua. A moradia digna também permanece no centro das reivindicações, com déficit habitacional estimado em 5,77 milhões de domicílios em 2024, segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro. Essa realidade envolve não só a falta de teto, mas também questões urbanas, renda, financiamento e regularização fundiária.
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Fonte: bh24.com.br
Origem e significado do Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos nasceu na década de 1990, a partir da 2ª Semana Social Brasileira promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Campanha da Fraternidade de 1995, voltada à exclusão social. Desde 1995, a manifestação ocorre anualmente no 7 de setembro, relacionando a independência política do Brasil ao acesso efetivo da população a direitos sociais, trabalho, terra e moradia. A palavra “soberania” ganha uma dimensão contemporânea, ligada à autonomia nacional e à participação popular nas decisões políticas e econômicas.
Desdobramentos econômicos e sociais das pautas levantadas
Em Feira de Santana, a pauta contra a escala 6×1 ganhou força local e já está em discussão no Legislativo municipal, evidenciando o impacto prático das mobilizações. No âmbito nacional, a redução da jornada encontra resistência e apoio diversos, conforme interesses econômicos e produtivos. A questão da violência contra as mulheres exige políticas públicas eficazes, enquanto o déficit habitacional demanda continuidade em programas e articulação entre diferentes esferas de governo. O Grito dos Excluídos segue como uma plataforma plural, onde diferentes setores se unem para reivindicar direitos que afetam diretamente a vida, o emprego e a economia da população brasileira, especialmente na Bahia.

