Potencial das terras raras brasileiras e cenário global
O interesse internacional pelas terras raras cresce em meio a tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos. A China, que recentemente restringiu a exportação desses minerais, usados tanto em tecnologia como em aplicações militares, acirra a disputa pelo controle da cadeia global. Nesse contexto, o Brasil surge como um ator promissor, com 30 projetos identificados, dos quais apenas cinco estão devidamente estruturados para avançar.
O país possui condições geológicas favoráveis, com reservas de alta qualidade e dois tipos principais de mineralização: rochas duras, como no projeto da multinacional australiana, e argilas. A empresa está nos primeiros passos do processamento, focando na concentração e elaboração do carbonato de terras raras – etapa inicial para agregar valor. A fase seguinte, que envolve a separação dos óxidos, exige tecnologia avançada e investimentos significativos, ainda não dominados pelo Brasil.
Desafios regulatórios e investimento estratégico
O presidente da empresa, Renato Gonzaga, destaca que, embora exista mérito na criação de um marco regulatório que incentive investimentos, o texto aprovado na Câmara dos Deputados apresenta uma intervenção estatal excessiva. O projeto de lei dos minerais críticos visa construir uma cadeia de processamento completa e agregar valor internamente. Porém, para isso, é fundamental criar um ambiente institucional que atraia investimentos e promova o debate técnico aprofundado.
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Um comitê de notáveis deverá discutir os investimentos com base na soberania nacional, porém, ainda não está claro quem o compõe e como funcionará. Essa estrutura pode criar obstáculos e afastar capital necessário para projetos que demandam investimentos intensivos e capital paciente. O resultado é o aumento do prêmio de risco, tornando o financiamento mais caro e comprometendo a competitividade do Brasil como destino para investidores.
Projeto na Bahia e parcerias para inovação
O projeto principal da empresa está localizado na Província Mineral Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul da Bahia, em uma área de quase 200 mil hectares. Com teor de terras raras até 100 vezes superior ao encontrado em depósitos convencionais de argilas iônicas, o empreendimento promete margens robustas devido ao volume de produção. A planta de concentração será instalada em Ubaíra e Jiquiriçá, onde também fica a mina, com previsão de início das operações para o fim de 2029.
O objetivo é alcançar a produção do produto final em um segundo momento. Para isso, a empresa firmou parceria com a Carester, uma das poucas no mundo ocidental com tecnologia industrial para a separação dos óxidos. Um contrato off-take garante a venda de um terço da produção por dez anos, contando com apoio na rota tecnológica de separação no Brasil.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
A separação dos óxidos está prevista para ser realizada em Camaçari, região metropolitana de Salvador, estrategicamente localizada a 200 km do projeto, com acesso a porto e mão de obra qualificada. Um estudo inicial será divulgado em breve, reforçando o compromisso com o desenvolvimento local.
Financiamento e licenciamento ambiental
Até o fim de 2025, a empresa conta com 160 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 576 milhões) em caixa para financiar sondagens, levantamentos geológicos e testes em plantas piloto. O projeto está em fase de licenciamento ambiental junto ao Ibama, com previsão de apresentação do estudo de impacto ambiental no final deste ano.
Esse investimento significativo pode colocar o Brasil em posição estratégica na cadeia global de terras raras, desde que as condições regulatórias favoreçam um ambiente seguro e atrativo para investidores. A movimentação da multinacional australiana na Bahia reflete a importância de políticas públicas que equilibrem soberania e estímulo ao capital, garantindo produção, emprego e renda na região.

