Impacto econômico da mineração na Bahia
O avanço da Política Nacional de minerais críticos e Estratégicos no Congresso promete transformar o setor de mineração na Bahia. A expansão da cadeia produtiva desses minerais e das terras raras pode injetar R$ 192,1 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país e criar até 750 mil empregos até 2050. Entre os estados brasileiros, a Bahia está entre os maiores beneficiados, com estimativa de crescimento de 10,3% no PIB estadual.
Dois cenários para o crescimento da mineração
O estudo da Amcham Brasil apresenta dois caminhos para o desenvolvimento dessa cadeia no Brasil. O primeiro cenário considera investimentos majoritariamente domésticos, com foco na exportação e pouca agregação de valor dentro do país. Nesse caso, o impacto no PIB alcança R$ 128,7 bilhões e gera 304 mil empregos.
O segundo cenário prevê maior participação de capital estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no território nacional e uso crescente desses insumos pela indústria brasileira. Essa hipótese eleva os investimentos para R$ 120,9 bilhões, com impacto acumulado no PIB de R$ 192,1 bilhões e criação de 750 mil postos de trabalho.
Benefícios além da mineração
A análise indica que atrair capital internacional e fortalecer as cadeias produtivas pode adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, aumentar em R$ 32,3 bilhões o consumo das famílias e incrementar em R$ 16,1 bilhões os investimentos. Além disso, seriam gerados 446 mil empregos extras, ampliando os efeitos já previstos pela expansão da mineração.
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Brasil em destaque no mercado global
O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e empresas do setor, baseia-se em projeções globais e nacionais para estimar a demanda por minerais como cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras.
De acordo com Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, “o país possui algumas das maiores reservas mundiais desses minerais e tem potencial para ser um protagonista global. A capacidade de atrair investimentos é fundamental para transformar essa riqueza em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”.
Estados beneficiados e indústria impulsionada
Os maiores impactos no PIB concentram-se nos estados mineradores: Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%). O fortalecimento do processamento nacional também amplia benefícios para estados com forte presença industrial, como Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que terão ganhos adicionais significativos.
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Setores como a indústria de transformação crescem 1,8% no segundo cenário, quase três vezes mais que no primeiro. A construção civil e a indústria extrativa também se destacam, com aumentos de 4,5% e 4,2%, respectivamente.
Setores industriais com maior impacto
Dentre os segmentos industriais, máquinas e equipamentos elétricos apresentam crescimento de 16,7%. Máquinas para extração mineral crescem 9,8%, automóveis 5,5% e máquinas e equipamentos mecânicos 2,9%.
Para Abrão Neto, “a atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos para além dos estados produtores, fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e na transição energética”.

