Desafios e Perspectivas para a Economia da Bahia
O seminário “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro”, promovido pelo Sindicato dos Servidores da Fazenda do Estado da Bahia (Sindsefaz), reuniu especialistas para debater o futuro econômico do estado. Com foco na diversificação econômica, superação dos desafios de infraestrutura e logística, além das oportunidades trazidas pela reforma tributária, o evento ocorrido em Salvador trouxe análises fundamentais para o desenvolvimento regional.
Entre os convidados, estavam os economistas José Kobori, Natan Caixeta, Rodrigo Orair e Rosembergue Valverde, além de Francelino Valença, presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco). O seminário também contou com a participação do secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos.
O Papel do Estado e a Reindustrialização no Desenvolvimento
José Kobori destacou as transformações na geopolítica global, ressaltando o fortalecimento da China e a formação de uma ordem mundial multipolar. Para ele, essa realidade evidencia a importância do Estado no planejamento estratégico e na indução do desenvolvimento econômico. Kobori ressaltou que o Nordeste, especialmente a Bahia, deveria ter sido prioridade na industrialização brasileira devido à sua localização estratégica próxima a mercados consumidores da Europa e dos Estados Unidos.
Leia também: Sindsefaz promove debate essencial sobre justiça fiscal e desenvolvimento na Bahia
Leia também: Economia da Bahia: 7 Fatores que Moldam o Desenvolvimento Regional
Natan Caixeta criticou o atual modelo econômico brasileiro por sua dependência excessiva das exportações de commodities. Ele defendeu a reindustrialização como caminho para ampliar a economia, aproveitando as novas possibilidades advindas dos BRICS. Caixeta também apontou limitações na capacidade de investimento público e o papel restritivo do sistema financeiro, destacando a importância da política fiscal para o crescimento econômico, geração de empregos e redução das desigualdades.
Impactos da Reforma Tributária na Bahia
O segundo painel focou nos desafios específicos da Bahia. Rosembergue Valverde, professor da UEFS, ressaltou a necessidade de diversificação produtiva e o enfrentamento dos gargalos na infraestrutura e logística. Para ele, ampliar a complexidade econômica com atividades que agreguem valor e gerem empregos de qualidade é vital para o progresso estadual.
Rodrigo Orair, diretor de Programa da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, analisou os impactos do novo sistema tributário sobre estados e municípios. Ele destacou a mudança na tributação do consumo, que agora será vinculada ao local do consumidor, beneficiando estados como a Bahia. Orair também apontou o potencial do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, que exigirá uma política regional estratégica e projetos bem elaborados para captar investimentos.
Leia também: Futebol na Bahia: Um Motor Econômico com Potencial de Crescimento
Leia também: Bahia Inova com Nova Carteira Bilionária Focada em Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo
Autonomia Tributária e Investimentos Públicos
Francelino Valença, presidente da Fenafisco, avaliou que a reforma tributária traz avanços para o ambiente de negócios, mas manifestou preocupação com a redução da autonomia dos estados e municípios para definir suas políticas fiscais. Ele criticou a composição do Comitê Gestor do IBS e defendeu a revisão dos limites para gastos públicos, além de ampliar os investimentos do Estado como forma de estimular a economia e melhorar a qualidade de vida da população.
Valença destacou ainda a importância do fortalecimento das administrações tributárias e a necessidade de uma Lei Orgânica da Administração Tributária para acompanhar as mudanças do novo modelo de tributação.
Administrar para Desenvolver: O Papel da Fazenda
O Sindsefaz reforça que o seminário buscou ampliar a visão sobre a administração tributária, ultrapassando o papel tradicional de arrecadação. A ideia é relacionar a gestão fiscal ao financiamento das políticas públicas, à redução das desigualdades e à construção de um projeto de desenvolvimento sustentável para a Bahia.

