Funcionários relatam o impacto das demissões nas Casas Bahia
“Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, desabafa Edson Silva, colaborador da loja em Ponta Porã (MS), fronteira com o Paraguai. Em vídeo que viralizou no Instagram, ele agradece a chefia, colegas e clientes, afirmando: “Foi daqui que tirei o meu sustento, foi daqui que criei meus filhos, foi daqui que formei minha família”. O relato traz à tona o drama pessoal por trás do fechamento de 298 lojas da rede varejista, que entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (16).
Recuperação judicial e demissões em massa
O Grupo Casas Bahia enfrenta um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre entre abril e junho, acumulando uma dívida de R$ 17,3 bilhões. No pedido de recuperação judicial, a empresa revelou a demissão de cerca de 3.000 funcionários entre os 30.117 colaboradores que possui. Além disso, o fechamento de quase 300 lojas será implementado para ajustar o tamanho da operação.
No documento, a rede informa que está revisando seu quadro de colaboradores, contratos, despesas e investimentos para alinhar a estrutura de custos ao novo patamar de atividade e geração de caixa esperado. Atualmente, as Casas Bahia mantêm mais de 700 lojas físicas, enquanto o Ponto Frio conta com mais de 65 unidades.
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Relatos de trabalhadores destacam a dimensão da crise
Em Salvador, um funcionário com quase 14 anos de casa publicou um vídeo na última sexta-feira (14) informando que a maioria das lojas na capital baiana foi fechada. “Infelizmente a maioria das Casas Bahia de Salvador fechou, demissão em massa, inclusive a loja onde eu trabalho”, lamenta. Ele acrescenta: “Vida que segue, emprego não é casa de ninguém. Deus abençoe a mim e aos meus colegas, e agradeço a clientes e amigos.”
Outro colaborador, que atuou na rede por sete anos, registrou em vídeo na quinta-feira (13) a loja vazia e colegas se despedindo. “É triste, mas é a realidade”, comenta. No LinkedIn, relatos indicam que as demissões atingiram funcionários de todos os setores e contratos, inclusive prestadores de serviços. Um deles destacou o encerramento dos contratos de todas as consultorias de tecnologia, afetando mais de 200 profissionais.
Sindicato reage e anuncia ação coletiva contra a empresa
O Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) anunciou que entrará com uma ação coletiva contra as Casas Bahia. A entidade pretende buscar a reintegração dos funcionários e indenização por danos morais, criticando a forma como as demissões foram conduzidas. Segundo o sindicato, não houve diálogo prévio, e muitos trabalhadores se depararam com as lojas fechadas sem aviso ou acolhimento.
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Essa crise expõe o impacto direto na vida dos empregados e na estrutura do varejo, evidenciando as consequências práticas da recuperação judicial para o emprego e a economia local.

