Dom Constantino Barradas e seu papel na Igreja baiana
À frente da Diocese de São Salvador da Bahia entre 1602 e 1618, Dom Constantino Barradas foi o quarto bispo a conduzir a Igreja nessa região que, à época, se consolidava como a capital do Brasil colonial. Natural de Lisboa, onde nasceu em 1550, Dom Constantino era filho de André Henriques e Francisca Barradas. Sua formação acadêmica foi sólida: estudou na Universidade de Coimbra, conquistando os títulos de Mestre em Artes (Filosofia) e Doutor em Teologia. Além disso, lecionou Teologia como professor catedrático por três anos.
Confirmado pelo Papa Clemente VIII como Bispo de São Salvador da Bahia em 9 de setembro de 1602, recebeu a sagração episcopal em 1603. Inicialmente, governou a Diocese por meio de procurador, assumindo pessoalmente o cargo posteriormente. Seu período à frente da Diocese é marcado por um empenho intenso na organização e no fortalecimento da vida pastoral, refletindo os desafios de uma Igreja em expansão no Brasil colonial.
Expansão das paróquias e atuação missionária
Dom Constantino Barradas dedicou-se a visitar diversas paróquias, curatos e aldeias indígenas, acompanhando de perto o trabalho missionário realizado por jesuítas e sacerdotes seculares em Salvador, no Recôncavo Baiano e em outras capitanias do Norte. Sua atuação também alcançou Pernambuco e Olinda, onde permaneceu por um período mais longo e ordenou novos sacerdotes, contribuindo para o fortalecimento do clero local.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Durante seu episcopado, a organização territorial da Igreja ganhou destaque. Em 1608, já existiam 14 paróquias vinculadas ao Cabido da Sé, incluindo Nossa Senhora do Ó (Paripe), São Bartolomeu (Pirajá), São Miguel (Cotegipe), Santo Amaro (Ipitanga), Nossa Senhora da Purificação (Santo Amaro) e São Tiago do Iguape. Dom Constantino foi responsável pela criação de novas paróquias, como as de Cairu, Espírito Santo de Boipeba, Nossa Senhora da Vitória (São Cristóvão, Sergipe), Nossa Senhora da Ajuda (Jaguaripe), Nossa Senhora da Assunção (Fortaleza) e Nossa Senhora da Vitória (Maranhão).
Desafios e relações com as autoridades civis
Além de expandir a presença da Igreja, Dom Constantino Barradas enfrentou tensões relacionadas à jurisdição eclesiástica diante das autoridades civis. Um episódio importante desse período foi a criação da Prelazia do Rio de Janeiro, estabelecida por bula do Papa Paulo V em 15 de julho de 1614, quando o território foi desmembrado da Diocese de Pernambuco. Em 19 de fevereiro de 1616, o padre Antônio Teixeira Cabral foi nomeado como seu primeiro prelado por carta régia.
Apesar das dificuldades administrativas e das disputas de poder, Dom Constantino permaneceu à frente da Diocese até os últimos anos de vida. Cansado e enfermo, encaminhou sua renúncia ao bispado, vindo a falecer em 1º de setembro de 1618. Seu corpo foi sepultado na capela-mor da primeira Igreja do Convento de São Francisco, em Salvador.
O episcopado de Dom Constantino Barradas marca um capítulo inicial e fundamental na história da Igreja Particular de São Salvador da Bahia. Seu legado se mantém nas bases estruturais da Igreja na região, na expansão das paróquias e no cuidado pastoral que ajudaram a consolidar a presença eclesial em um território marcado por profundas transformações sociais, históricas e religiosas.

