Conexão entre jovens e cultura na Biblioteca Central da Bahia
Na última terça-feira (10), 15 jovens do Coletivo Bahia pela Paz Conceição, de Feira de Santana, vivenciaram uma experiência enriquecedora na Biblioteca Central do Estado da Bahia, em Salvador. A visita cultural, promovida pelo Programa Bahia pela Paz, proporcionou um contato direto com a leitura, a história e a diversidade de conhecimento disponível no local.
Essa ação é fruto de uma parceria entre os Coletivos Bahia pela Paz, coordenados pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), responsável pela gestão da biblioteca.
Atividades literárias e acesso inclusivo
Dentre os participantes, estava Thalita Alves, de 13 anos, que frequenta as atividades do Coletivo Conceição desde 2023. Coincidentemente na data em que se comemorou o Dia da Língua Portuguesa, a jovem destacou a imersão em um universo de histórias e descobertas. Ela se encantou especialmente pelo setor infantojuvenil e teve seu primeiro contato com livros em braille, o que ampliou sua compreensão sobre acessibilidade e a importância de tornar a leitura acessível a todos.
“Gostei muito de conhecer os livros em braille e aprender mais sobre a história daqui. Foi uma experiência diferente, que me fez enxergar a leitura de outra forma e conhecer coisas que eu nunca tinha visto antes”, compartilhou Thalita.
A programação incluiu a atividade “Ficção Puzzle”, criação da escritora baiana Simone Maryam, que utilizou o livro “Eu não posso viver sem você, você pode viver sem mim” para desafiar os jovens a desvendar enigmas presentes na narrativa. A iniciativa tornou a leitura um processo interativo e investigativo, promovendo o engajamento dos participantes, que contaram também com estudantes da rede pública de Salvador. Os que solucionaram os desafios receberam prêmios em dinheiro e brindes.
Conhecendo a história e o acervo da Biblioteca Central
Após a atividade literária, o grupo participou de uma visita guiada pelos espaços da biblioteca, que foi fundada em 13 de maio de 1811 e é reconhecida como a primeira biblioteca pública do Brasil e da América Latina. Atualmente, o acervo reúne mais de 600 mil itens, entre livros, documentos e coleções especiais.
Durante o passeio, os jovens conheceram a sala de coleções especiais e livros raros, onde estão preservados acervos valiosos da cultura e história baiana, como os do historiador Ubiratan Castro de Araújo, referência nos estudos sobre a formação social da Bahia, e do etnólogo Waldeloir Rego, que dedicou sua trajetória ao estudo das tradições afro-baianas e da cultura popular. Também visitaram a sala de periódicos e o setor infantojuvenil Betty Coelho.
Parceria fortalece cultura de paz e acesso ao conhecimento
Para o diretor da Biblioteca Central, Marcos Viana, a cooperação entre a Fundação Pedro Calmon/Secult-BA e a SJDH amplia o acesso dos jovens à cultura e contribui para ações de prevenção à violência. “Quando aproximamos os jovens de espaços como a biblioteca, ampliamos oportunidades de aprendizagem, pertencimento e construção da cultura de paz. Essa integração entre diferentes políticas públicas é fundamental para abrir novos caminhos para a juventude”, afirmou.
A visita também marcou Kauê Freitas, de 19 anos, que participou com o acompanhamento do serviço de psicologia do Coletivo Conceição. “Foi a primeira vez que conheci a Biblioteca Central. Tem uma diversidade enorme de livros e de conhecimentos. A gente conhece novas culturas, novas histórias e amplia nossa visão de mundo”, relatou.
Ao final da visita, os jovens receberam livros por meio de uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, a Livraria LDM e a Editora Rocco, incentivando ainda mais o hábito da leitura.
Doação amplia acervos dos coletivos no interior da Bahia
A Fundação Pedro Calmon também doou 80 livros para os Coletivos Bahia pela Paz de Feira de Santana, localizados nos bairros Conceição e Mangabeira. Essa contribuição visa ampliar a diversidade literária dos espaços dedicados à leitura nesses equipamentos, conforme destaca Frank Ribeiro, coordenador geral dos Coletivos Bahia pela Paz do Interior do Estado.
“Os coletivos do interior do estado foram estruturados com espaços dedicados à leitura que, ao longo do tempo, vêm se consolidando como pontos de leitura para os jovens e suas famílias que frequentam os equipamentos. A ampliação desses acervos nos coletivos representa mais uma oportunidade de estimular o hábito da leitura. Em territórios marcados por índices de violência letal, promover o acesso à cultura, à educação e à informação também é uma estratégia de fortalecimento da cultura de paz e de prevenção das violências. Por isso, essa doação tem um significado muito especial para os coletivos”, ressaltou o coordenador.

