Aumento das internações por AVC na Bahia e o impacto na saúde pública
O crescimento expressivo das internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC) na Bahia chama atenção para a necessidade de ações eficazes na prevenção e tratamento da doença. Dados do DataSUS revelam uma alta de 33% nos casos entre 2020 e 2025, somando tanto AVCs isquêmicos quanto hemorrágicos. Em 2026, esse aumento persiste: de janeiro a julho, o estado registrou 10.211 internações, 31% a mais que no mesmo período de 2021, quando foram contabilizados 7.787 casos.
O perfil dos pacientes mostra predominância masculina, com 51% dos casos, e maior incidência na faixa etária entre 70 e 79 anos, que representa 32% das internações. Entretanto, a elevação dos casos entre adultos jovens, especialmente entre 15 e 49 anos, preocupa. O Ministério da Saúde aponta um aumento de 16,9% nesse grupo entre 2020 e 2025, saltando de 34.896 para 40.788 registros no país.
O que é o AVC e quais são suas consequências?
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo em uma região do cérebro é interrompido, seja pela obstrução de um vaso sanguíneo (AVC isquêmico) ou pela ruptura de um vaso (AVC hemorrágico). As sequelas podem ser severas, afetando movimentos corporais, fala, sensibilidade, visão, cognição e até as emoções do paciente.
Luana Amorim, médica neurologista da Florence, primeiro Hospital de Transição do Norte e Nordeste, reforça a urgência do atendimento imediato. “O AVC é uma emergência médica em que cada minuto conta. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento, maiores as chances de limitar os danos cerebrais e reduzir as sequelas”, destaca.
História real: o desafio da recuperação após um AVC
O enfermeiro Hebert Aguiar, de 41 anos, vivenciou na pele as consequências do AVC isquêmico que sofreu em abril deste ano no lado esquerdo do cérebro. Com sintomas como formigamento no braço, boca torta, dificuldade para falar e dor de cabeça, ele ficou desacompanhado até o retorno do marido, que acionou o socorro.
“Cheguei ao hospital de cadeira de rodas e fui direto para a sala vermelha. Por causa da demora no atendimento, as sequelas afetaram meu lado direito: fala, locomoção, braço, perna e rosto”, relata Hebert. Ele passou cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quase 15 dias internado. A comunicação só começou a voltar quando foi transferido para a semi-UTI.
Os médicos foram cautelosos, indicando que a recuperação seria difícil. No entanto, seu marido manteve a esperança de que Hebert poderia voltar a andar. A reabilitação começou no hospital Florence, onde o enfermeiro deu os primeiros passos rumo à recuperação, mesmo ainda sem conseguir falar ou mover o braço direito.
Importância da reabilitação precoce e multidisciplinar
Especialistas ressaltam que a reabilitação é peça-chave para restabelecer a funcionalidade após um AVC. Quanto mais cedo iniciada, maior a chance de aproveitar a neuroplasticidade, período em que o cérebro tem maior capacidade de se reorganizar.
“Uma reabilitação intensiva e precoce, realizada por uma equipe multidisciplinar — composta por médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e nutricionistas — faz diferença real na recuperação dos movimentos, da fala e da independência do paciente”, explica Luana Amorim.
Hebert compartilha sua experiência: “Minha maior preocupação era não voltar a andar. Graças a Deus, consegui andar novamente. Caminhava pelo quarto, área de reabilitação e jardim. Subia escadas e percorria corredores o tempo todo”.
Prevenção e acompanhamento: passos essenciais para evitar novos AVCs
Além da reabilitação, o monitoramento constante dos fatores de risco é fundamental para prevenir novos episódios. Controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico são estratégias imprescindíveis.
“Quem já teve um AVC tem maior chance de sofrer um novo episódio. Por isso, prevenção e reabilitação caminham juntas”, reforça a neurologista.
O aumento das internações por AVC na Bahia exige atenção redobrada das autoridades e da população. O diagnóstico rápido, aliado a um tratamento multidisciplinar e à prevenção eficaz, é o caminho para reduzir danos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição grave que desafia o sistema de saúde e impacta famílias em todo o estado.

