Paralisação da roda-gigante gera impasse entre Prefeitura de Salvador e Iphan
O projeto da roda-gigante no bairro do Comércio, apresentado pela Prefeitura de Salvador como uma iniciativa para transformar o cenário turístico da Cidade Baixa, permanece suspenso desde o começo de 2023. A gestão do prefeito Bruno Reis (União) tem manifestado insatisfação com a atuação do Instituto do patrimônio histórico e Artístico Nacional (Iphan) na análise e aprovação do empreendimento.
Bruno Reis ressaltou o desgaste da administração diante dos entraves impostos pelo órgão federal. “A prefeitura está cansada – esse é o termo, cansada – de sozinha investir. Já são mais de R$ 800 milhões aplicados praticamente sozinha em diversos equipamentos que criamos, recuperamos e que estão em recuperação. E quando aparecem pessoas interessadas em investir, enfrentam dificuldades impostas pelo Iphan”, afirmou o prefeito.
Restrições técnicas e proteção histórica travam o avanço da roda-gigante
A estrutura, com cerca de 84 metros de altura, prometia proporcionar vistas panorâmicas da Baía de Todos-os-Santos e da Cidade Alta, inspirada em atrações internacionais como London Eye e Rio Star. O local escolhido foi a orla do Comércio, próximo ao Polo de Economia Criativa e ao Hub de Tecnologia, com investimento privado voltado ao fomento do turismo e da economia local.
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O principal obstáculo para a execução do projeto foi a avaliação negativa do Iphan. A região integra o polígono de proteção do centro histórico e da orla marítima da Baía de Todos-os-Santos. O órgão apontou que a altura da roda-gigante causaria impacto visual irreversível, comprometendo a visibilidade dos monumentos tombados e alterando a escala arquitetônica tradicional da Cidade Baixa.
Em sua análise, o Iphan concluiu que a intervenção “descaracterizaria a relação histórica da encosta com o mar”, critério essencial para aprovação em áreas próximas ao patrimônio nacional. A decisão gerou reação da prefeitura, que recorreu e criticou a rigidez dos parâmetros adotados pelo instituto.
Tentativas de ajustes não evitam suspensão do projeto
Mesmo com readequações propostas pela iniciativa privada e órgãos municipais, o veto do Iphan bloqueou o licenciamento da roda-gigante. Sem a autorização do órgão federal, o projeto entrou para a lista de empreendimentos de grande porte em Salvador suspensos ou arquivados por conflito com normas de preservação do patrimônio urbano.
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Embora não tenha permanência fixa, a roda-gigante já esteve presente no Festival Virada Salvador, na Arena O Canto da Cidade, na orla da Boca do Rio. Esperava-se que a atração recebesse cerca de 2.500 visitantes por dia durante seu funcionamento.
Aquário Salvador também enfrenta entraves semelhantes
Além da roda-gigante, o projeto do “Aquário Salvador” enfrenta dificuldades parecidas. O prefeito Bruno Reis informou que a prefeitura realizou uma reunião recente para discutir o tema e que uma área na orla de Pituaçu está praticamente viabilizada para receber o equipamento.
O objetivo é que a iniciativa privada assuma a construção e operação do aquário. “Estamos viabilizando uma área na região da orla de Pituaçu, onde estamos requalificando o espaço. A ideia é desenvolver alguma parceria estratégica para que o privado possa construir, equipar e operar esse importante equipamento, que ajudará a fortalecer a economia da nossa cidade. A área está praticamente pronta e vamos anunciar nos próximos dias a forma de desenvolvimento dessa estratégia”, concluiu o prefeito.

