O Encontro da Ancestralidade e da Música Baiana
No coração de Salvador, no palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o cantor e compositor Lazzo Matumbi, reconhecido como “a voz da Bahia”, protagonizou um momento marcante em seus 45 anos de carreira. Em um espetáculo que reuniu uma plateia fervorosa e cheia de emoção, Lazzo celebrou sua trajetória com um show audiovisual que destaca a ancestralidade e a resistência presentes em sua obra.
Com direção artística de Manno Góes e musical de Ubiratan Marques, “Matumbi canta a Bahia” traz à tona ritmos que formam a base da identidade cultural baiana, como o samba-reggae, o ijexá e o reggae. O repertório revisita clássicos eternizados por nomes como Margareth Menezes e inclui participações especiais da nova geração, como BaianaSystem, Rachel Reis, BNegão e Ravi Lobo. A produção audiovisual estreia em novembro nos canais oficiais do artista e do selo Mapa/ADA da Warner, com previsão de exibição na TVE.
Reconhecimento e Influência na Música Brasileira
Aos 69 anos, Lazzo Matumbi vivencia um momento de maior projeção, sendo reverenciado por artistas contemporâneos e convidado para colaborações em discos e shows pelo país. Roberto Barreto, guitarrista do BaianaSystem, destaca a importância de Lazzo para a conexão musical entre Bahia, Jamaica e a música negra norte-americana, ressaltando sua originalidade ao revelar uma Bahia profunda.
Para Rachel Reis, Lazzo representa uma inspiração única, marcada por um magnetismo e uma musicalidade singulares. Já Manno Góes enaltece a coerência entre o discurso e a arte do cantor, ressaltando seu compromisso com a cultura afro-indígena e sua resistência em tempos de artificialidade, o que torna Lazzo uma figura fundamental para a valorização das raízes brasileiras.
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Temas Sociais e Políticos na Música e no Discurso de Lazzo
O show reflete uma trajetória marcada por reflexões sobre questões sociais e raciais, muitas vezes enfrentando preconceitos e desafios. Lazzo relembra sua origem em rodas de samba e destaca as dificuldades enfrentadas por músicos negros em ascender socialmente, além da rejeição enfrentada em certos espaços culturais.
Uma das músicas mais emblemáticas interpretadas é “14 de maio”, composta por Jorge Portugal, que critica a abolição da escravidão no Brasil e expõe a realidade dos recém-libertos após a assinatura da Lei Áurea. Para Lazzo, é essencial continuar cantando e discutindo esses temas para buscar um país mais justo e igualitário.
Crítica ao Eurocentrismo e Valorização da Cultura Local
Lazzo chama a atenção para a necessidade de reconhecer e valorizar a cultura afro-indígena como base da identidade brasileira, criticando a tendência eurocêntrica presente na sociedade. Ele destaca o carnaval da Bahia como exemplo das desigualdades e ressalta que a Axé Music, apesar de seu sucesso, fortaleceu comunidades brancas enquanto artistas negros ficaram marginalizados.
O cantor alerta para o esquecimento das raízes culturais em prol do turismo, reforçando que a cultura afro-indígena é um patrimônio que atravessa gerações e deve ser prioridade para o país. Sua frase de convocação “Alô, Brasil, se olha no espelho!” ecoa como um convite à reflexão e à valorização da diversidade cultural.
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Resistência e Persistência em uma Carreira de Quase Cinco Décadas
Ao longo da carreira, Lazzo enfrentou boicotes e foi rotulado de rebelde por sua postura crítica e engajada. Mesmo assim, manteve sua essência e encontrou formas de driblar as barreiras impostas pela sociedade racista e excludente. Com o produtor Arthur Dazzani, desenvolveu uma parceria que ampliou seu alcance, mostrando a importância da aliança entre diferentes experiências para romper barreiras.
Apesar das dificuldades financeiras, Lazzo não mede seu sucesso por números ou fama, mas pela conexão direta com o público. Ele valoriza o impacto emocional de suas apresentações e a identificação dos jovens com sua história de luta e resistência.
Diariamente, ele reforça sua autoestima e orgulho de sua trajetória, inspirando aqueles que acompanham sua jornada a não desistir dos seus sonhos, mesmo diante dos desafios.

