Infância e território: uma conexão essencial em Cajazeiras
Em Cajazeiras, bairro de Salvador conhecido por sua grande população, a cultura da infância ganha destaque em um encontro que acontece no dia 10 de outubro. O 1º Encontro da Cultura da Infância, intitulado “A Infância que Queremos Cultivar”, propõe uma reflexão profunda sobre os espaços onde as crianças crescem, brincam e constroem suas relações com o mundo.
A proposta parte de uma questão central: que infância queremos cultivar? Educadores, artistas, pesquisadores e profissionais dedicados ao universo infantil se reúnem para debater temas como brincar, arte, cultura, corpo, natureza, memória, vínculos e território. A ideia é ampliar o olhar para além dos ambientes convencionais da educação, reconhecendo que a infância também se molda no convívio familiar, na comunidade, nas ruas e nas relações de vizinhança.
O protagonismo de Cajazeiras na discussão sobre a infância
Cajazeiras assume um papel ativo nesse debate, servindo não só como palco, mas como elemento fundamental para pensar as condições que possibilitam às crianças brincar, imaginar, criar vínculos e ocupar seus espaços. O encontro também convida os adultos a refletirem sobre seu papel nesse processo, analisando como famílias, escolas e comunidades influenciam a formação das experiências infantis e as marcas que elas deixam ao longo da vida.
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Filipe Lima, pedagogo, psicopedagogo, artista e fundador da Inovarte – Educar para Ser Humano, responsável pela realização do evento, destaca o desejo de que os participantes saiam do encontro não apenas com informações, mas com uma paixão renovada pela infância e confiança em sua importância na vida humana.
Memórias e brincar: caminhos para entender a infância
A relação entre memória e infância é um dos eixos do encontro, que começa com uma acolhida musical comandada por Meg Azevedo. A artista conduz uma experiência que resgata canções que atravessaram gerações, incentivando os adultos a revisitarem suas próprias lembranças de infância, desde pessoas e lugares até músicas e brincadeiras. Essas memórias servem para refletir sobre como as experiências da infância permanecem no corpo e influenciam a maneira de se relacionar com o mundo.
O brincar também recebe atenção especial. Miriam Teles von Hauenschild, pedagoga, educadora e fundadora da Escola Acalento, conduz uma atividade que aborda os ritmos da infância, a imaginação, a autonomia, a natureza e o brincar livre. O objetivo é discutir o brincar como elemento fundamental para o desenvolvimento infantil e para a construção da autonomia, especialmente em uma sociedade que impõe diversas pressões e formas de controle sobre as crianças.
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Construir a infância é tarefa coletiva
O encontro segue com a Grande Roda — A Infância que Queremos Cultivar, mediada por Filipe Lima e Miriam Teles. Esse momento reúne convidados e participantes para debater a responsabilidade compartilhada na construção das experiências infantis. Famílias, escolas e comunidades são vistos não apenas como espaços de cuidado, mas como ambientes que podem produzir novas formas de convivência, participação e cuidado.
Na etapa final, a atividade Semeando Amanhã convida os participantes a registrar palavras, desejos, compromissos ou reflexões sobre a infância que desejam construir. Essas contribuições formarão uma construção coletiva, simbolizando o início de uma iniciativa contínua da Inovarte em Salvador, que busca aproximar educação, arte, cultura, comunidade e território em torno da cultura da infância.
Ao levar essa conversa para Cajazeiras, o projeto também contribui para mudar a percepção sobre a periferia, mostrando-a não apenas como receptora de políticas públicas, mas como espaço ativo de produção cultural, conhecimento e experiências educativas que ajudam a pensar a cidade de novas maneiras.

