Estratégia de Lula em Salvador
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o bairro da Liberdade, em Salvador, para consolidar apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). No primeiro ato oficial de campanha na Bahia, realizado na sexta-feira, 28, Lula buscou associar sua imagem à do petista para fortalecer a campanha e inibir o chamado voto “Lula-Neto”, que poderia favorecer o adversário ACM Neto (União Brasil).
Com a intenção de ampliar a transferência de votos, a ação ocorreu em um território simbólico, conhecido pela população negra e pelas ruas estreitas, onde Lula tem identificação histórica. A escolha do local também teve o objetivo de gerar um ambiente menos restrito à militância organizada, buscando manifestações espontâneas durante o trajeto. Essa mudança foi solicitada pelo próprio presidente, que preferiu evitar áreas turísticas tradicionais para eventos políticos.
Contexto da disputa na Bahia
A movimentação acontece em um cenário tenso na disputa pelo governo estadual. Pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em 27 revelou que ACM Neto lidera com 48,6% das intenções de voto, enquanto Jerônimo tem 40,1%. No segundo turno, Neto também aparece à frente, com 49,3% contra 41% do atual governador. Entretanto, levantamento Opnus, divulgado no dia 24, apontou situação diferente, com Jerônimo numericamente à frente e ampliando sua base ao ser associado a Lula, Rui Costa e Jaques Wagner, chegando a 48% das intenções, contra 38% de Neto, vinculado a João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos).
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As pesquisas indicam que a presença de Lula pode ser decisiva para o desempenho de Jerônimo, considerando que o presidente tem ampla vantagem nas intenções de voto para a Presidência na Bahia, com 60%, contra 17% de Bolsonaro (PL). A campanha petista trabalha para dificultar a dissociação entre as escolhas para presidente e governador, tentando replicar o resultado de 2022, quando Jerônimo, então atrás de Neto, venceu no segundo turno com o apoio de Lula, que obteve 72,12% dos votos válidos no estado.
Pressão e articulação política
O ato em Salvador ocorre em meio a uma agenda estratégica para Lula, que na quinta-feira participou da sabatina na TV Globo, enfrentando questionamentos sobre seu governo e sua candidatura, incluindo investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva e o ex-governador Jaques Wagner. Durante a visita à Bahia, aliados esperam que o presidente eleve o tom contra ACM Neto e deixe clara sua preferência por Jerônimo, consolidando a articulação política para evitar a fragmentação do eleitorado.
O cenário eleitoral baiano segue em transformação, com a campanha do PT buscando capitalizar a imagem de Lula para garantir a reeleição de Jerônimo e neutralizar a vantagem do candidato da União Brasil, consolidando apoios institucionais e ampliando o alcance da mobilização popular na reta final da disputa.

