Cooperação Internacional em Foco
A missão internacional do Projeto PROT’AIR, realizada na França, tem se mostrado um importante passo na construção de uma agenda cooperativa que visa o fortalecimento do turismo sustentável em áreas protegidas. Com a participação ativa da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a iniciativa busca envolver a gestão da Área de Preservação Ambiental (APA) Caminhos Ecológicos da Boa Esperança.
O PROT’AIR, criado a partir de um Memorando de Entendimentos assinado em outubro de 2023, é uma proposta de cooperação internacional inspirada no selo francês Valeurs Parc. O objetivo principal do projeto é desenvolver um modelo de certificação para produtos e serviços sustentáveis na Bahia, ligados às unidades de conservação e APAs. Essa estratégia visa não apenas agregar valor aos territórios, mas também promover o desenvolvimento sustentável na região.
Um Passo Estratégico para o Turismo Sustentável
De acordo com Maiana Pitombo, superintendente da Sema e coordenadora do PROT’AIR na Bahia, essa missão é um marco significativo para a consolidação da segunda fase do projeto. Ela destaca que a interação entre os parceiros é fundamental para aprofundar os componentes do programa. “Mais do que isso, fortalece a cooperação internacional e cria condições concretas para estruturarmos uma política integrada de turismo sustentável em áreas protegidas na Bahia”, afirma.
No último dia 15, a equipe esteve em Roquefort-sur-Soulzon, onde teve a oportunidade de conhecer o Parque Natural Regional de Grands Causses e a dinâmica do uso do solo local. A visita ressaltou a importância das pradarias tradicionais na produção do queijo roquefort, um dos produtos mais icônicos da França, cuja fabricação é rigorosamente controlada por meio de indicações geográficas.
Troca de Experiências e Fortalecimento de Laços
Participaram da missão, além de Maiana, a especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Inema, Maria Eduarda Sampaio, e as prefeitas de Taperoá, Kitty Guimarães, e de Nilo Peçanha, Jacqueline Soares. A delegação visitou a fazenda Gaec des Fleurines, que se destaca na produção de leite de ovelha, ingrediente fundamental para o queijo roquefort. “A experiência evidenciou como a valorização do território, aliada à proteção ambiental e ao reconhecimento de produtos locais, contribui para a construção de uma identidade turística forte”, salienta Maiana.
A agenda em Roquefort foi também marcada por uma rica troca de experiências entre os técnicos da Federação de Parques Naturais Regionais da França e os representantes brasileiros. As discussões focaram na interação entre produtores locais e áreas protegidas, buscando estratégias ajustáveis à realidade do Baixo Sul da Bahia.
Desenvolvimento da Segunda Fase do PROT’AIR
Na quinta-feira, 16 de novembro, a programação continuou na Casa do Parque Natural Regional dos Grands Causses, onde uma sessão estratégica foi dedicada à estruturação da segunda fase do PROT’AIR. O encontro contou com a presença de representantes da Federação dos Parques Naturais Regionais da França, do Escritório Francês da Biodiversidade, além de integrantes do Governo da Bahia e gestoras municipais.
Durante o dia, foram aprofundadas as quatro componentes principais do PROT’AIR: o eixo operacional na França, o desenvolvimento das ações na Bahia, a dimensão institucional e a cooperação universitária. Além disso, foram discutidos aspectos operacionais necessários para a implementação desta nova fase do projeto. A reunião também proporcionou um espaço para que as prefeitas de Nilo Peçanha e Taperoá apresentassem suas localidades, enfatizando potencialidades, desafios e iniciativas locais diretamente aos parceiros franceses.
Avaliação e Futuro do PROT’AIR
Maria Eduarda, que atua como especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e gestora da APA, avaliou que o intercâmbio tem sido crucial para aprimorar a gestão territorial. “O PROT’AIR tem sido fundamental para aproximar a gestão da APA dos municípios, aproveitando a inspiração das experiências consolidadas na França, especialmente as relacionadas à valorização do território e do turismo sustentável”, conclui. Essa colaboração poderá trazer resultados significativos para o desenvolvimento do turismo na Bahia, unindo sustentabilidade e crescimento econômico.

