Tradição que une gerações na Rua Souza Uzel
Na Rua Souza Uzel, localizada no bairro da Federação, em Salvador, a contagem regressiva para a copa do mundo vai além dos dias marcados no calendário. A atmosfera de torcida e festa se manifesta nas milhares de bandeirolas coloridas que balançam ao vento, transformando a via em um dos pontos mais emblemáticos da cidade durante o mundial.
Conhecida popularmente como Rua 13, essa localidade mantém viva uma tradição que atravessa gerações. Com pinturas no chão, desenhos inspirados no futebol e os famosos “tapetes aéreos” formados por bandeirolas, o espaço se torna uma verdadeira galeria a céu aberto para celebrar a Seleção Brasileira na competição.
Mobilização e dedicação dos moradores
Quem passa pela Rua 13 encontra um corredor colorido que se estende por cerca de 150 metros. Para os moradores, porém, a decoração vai além da estética: é fruto de semanas de trabalho coletivo, encontros improvisados e a mobilização de vizinhos que dedicam parte do tempo livre para manter a tradição iniciada há quase duas décadas.
O comerciante Ivo Vieira da Silva, de 54 anos, um dos principais organizadores, contou que tudo começou na Copa de 2006. “Nosso parceiro Ronaldo Rangel iniciou colocando fitinhas com plásticos. Achamos interessante e continuamos nas outras Copas”, recorda Ivo.
Os preparativos para este ano começaram em maio, com a compra dos materiais. Na reta final, o esforço aumentou: cerca de 30 pessoas trabalharam diretamente na montagem durante aproximadamente 30 dias, enfrentando até os dias de chuva que atingiram Salvador recentemente.
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“No início de junho, aceleramos o ritmo. Todo mundo participa, desde crianças até adultos. O pessoal já sabe da tradição e se envolve”, acrescentou o comerciante.
Investimento e espírito comunitário
Para concretizar o projeto, foram usados cerca de 200 quilos de plástico, 180 rolos de fitilho, 30 grampeadores e cerca de 5 mil grampos, totalizando um investimento de R$ 9 mil.
Além do trabalho, há também o momento de confraternização. “Sempre oferecemos um lanche da tarde para incentivar a participação e todo mundo se envolve no serviço”, conta Ivo.
Esse espírito coletivo emociona a estudante Cibele Sandrini, 23 anos, moradora da rua desde a infância. Para ela, a decoração simboliza a união dos vizinhos. “Mostra o esforço e a união de todos. Só a Copa consegue isso. Tem gente que nem conversa normalmente, mas na hora, todo mundo se reúne. À noite, a rua fica cheia”, destaca.
Cibele também ressalta o sentimento de pertencimento: “Sinto orgulho dessa tradição. Estou participando desde criança e desejo que ela dure para sempre, para que todas as gerações possam vivenciar essa experiência”.
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Fonte: atividadenews.com.br
Rua 13 como ponto turístico e cenário de festa
Com o passar dos anos, a fama da Rua 13 ultrapassou os limites do bairro. Visitantes de diversas regiões de Salvador costumam passar pela rua para registrar o cenário. Em 2014, a repercussão chegou a outros países, com jornalistas do Reino Unido e Estados Unidos, além de visitantes de Angola e países árabes presentes no local.
Segundo Ivo, a participação dos jovens neste ano foi ainda maior. “Hoje as crianças já chegam e observam tudo. Futuramente, elas vão continuar quando os mais velhos não puderem mais. Todos têm suas rotinas, mas nesse período, cada um contribui um pouco, sai mais cedo do trabalho e ajuda”, comenta.
Quando a bola começa a rolar, a festa vai além da decoração. Nos dias de jogos do Brasil, a Rua 13 vira um grande ponto de encontro. “Fazemos um sambinha, colocamos televisão na rua, cada um traz um tira-gosto, amendoim, licor, e a festa acontece. É uma mistura gostosa de São João com Copa do Mundo”, relata Ivo.
Enquanto a Seleção Brasileira se prepara para a estreia, a Rua 13 já conquistou sua própria vitória. Entre bandeirolas, grampos, conversas e memórias compartilhadas, os moradores mostram que a Copa do Mundo se faz também fora dos estádios — em lugares onde a paixão pelo futebol serve para fortalecer laços e reunir pessoas de distintas gerações.

