Festas populares aquecem a economia de Salvador
Salvador vive um movimento intenso durante suas festas tradicionais, que vão muito além da música e das celebrações nas ruas. A cidade também registra um impacto significativo no mercado de hospedagem por temporada, especialmente por meio de plataformas como o Airbnb. Segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em setembro de 2026, quase 40% dos anfitriões da capital baiana receberam hóspedes atraídos por eventos como o Carnaval, a Lavagem do Bonfim e a Festa de Iemanjá.
Esse impacto gerou uma movimentação econômica superior a R$ 2,1 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de quase 13% em relação ao ano anterior. A contribuição direta para o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade ultrapassou R$ 1,17 bilhão, enquanto a renda gerada superou os R$ 589 milhões. Além disso, a atividade sustentou cerca de 13 mil empregos diretos e indiretos, e gerou mais de R$ 176 milhões em tributos para os cofres públicos.
O efeito multiplicador do turismo em Salvador
Os impactos da movimentação turística não se limitam às reservas de hospedagem. Para cada R$ 100 gastos em acomodações pelo Airbnb, os visitantes desembolsam outros R$ 450 em gastos relacionados, como alimentação, transporte e compras. Esse fluxo financeiro beneficia diversos setores, incluindo restaurantes, mercados, lojas de rua e serviços locais, reforçando a importância do turismo para a economia da cidade.
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Além disso, a pesquisa revelou que anfitriões têm papel ativo na experiência dos visitantes. Mais de 95% dos entrevistados indicaram pontos turísticos e estabelecimentos dentro do próprio bairro onde oferecem hospedagem, enquanto quase 60% recomendaram locais menos conhecidos pelos turistas. Restaurantes e cafés foram as indicações mais frequentes, seguidos por lojas e comércios de rua.
O perfil dos anfitriões também foi traçado pela pesquisa: quase 75% afirmaram que o aluguel por temporada não é sua principal ocupação, e mais de 80% anunciam espaços próprios ou da família. Quase 60% dos anfitriões são mulheres, e a renda obtida com as hospedagens tem impacto direto no orçamento doméstico, com mais de 60% investindo em melhorias na casa e quase 65% usando os recursos para despesas básicas como alimentação.
Esses dados evidenciam a forte ligação entre o calendário cultural de Salvador e a cadeia de serviços ligada ao turismo. Nos períodos de alta demanda, como o Carnaval e outras festas populares, o crescimento na procura por hospedagem reflete diretamente no comércio local, na gastronomia e na circulação de renda nos bairros da cidade.

