Uma celebração da cultura afro-brasileira no coração de Salvador
Percorrer os caminhos da ancestralidade afro-brasileira é se lançar numa imersão de saberes e memórias que alimentam a 8ª edição do Rede capoeira, marcada para os dias 6 a 8 de agosto no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador. Mais do que uma festa da cultura popular, o evento propõe um espaço de reflexão sobre a importância de resgatar e valorizar as trajetórias daqueles que mantêm viva essa herança cultural.
A abertura, programada para o dia 6, às 17h, contará com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o lançamento da websérie “Heróis e Heroínas Populares – A Cultura de um Povo”. A produção homenageia 15 mestres e mestras da cultura popular baiana, dando voz a personagens que representam a diversidade e riqueza cultural do estado. A noite será encerrada ao som de Aloísio Menezes, cantor e compositor reconhecido pelo seu trabalho no samba brasileiro.
Debates que fortalecem memória e identidade
Durante três dias, mestres e mestras da capoeira e outras expressões culturais, acompanhados de pesquisadores, artistas e educadores, se reunirão para discutir temas como memória, identidade, ancestralidade, pertencimento e tradição. O 8º Rede Capoeira é uma realização do Projeto Mandinga, com patrocínio do Ministério da Cultura e do Banco do Nordeste.
Segundo Mestre Sabiá, idealizador do evento, a edição quer abordar as grandes contradições presentes na estrutura social, trazendo reflexões sobre heróis presentes e ausentes. “Valorizamos a roda como um espaço de troca de saberes, assim como acontece na capoeira, para reunir mais de 20 representantes de diferentes países e estados numa conversa ampla sobre capoeira, cultura popular e questões raciais”, explica.
Leia também: Rede de mulheres negras no sul da Bahia fortalece resistência cultural
Leia também: Programação cultural em Salvador promete agitar o fim de semana
Luiz Gama e a luta abolicionista em foco
Na sexta-feira, 7 de agosto, o centro das atenções será o painel “Mestre Luiz Gama – Nosso Herói Ainda Vive”, às 15h. O encontro terá participação do advogado e historiador do direito Bruno Rodrigues de Lima, referência nos estudos sobre a vida e obra do jurista baiano. A mediação ficará por conta do comunicador e poeta James Martins.
O debate propõe uma reflexão profunda sobre a trajetória de Luiz Gama, sua relação com a capoeira e a importância de resgatar a memória de personagens negros que desempenharam papéis decisivos na construção do Brasil, mas que ainda são pouco reconhecidos no país e na Bahia.
Também na sexta, às 9h, o painel “Cultura Popular como Ferramenta de Enfrentamento ao racismo estrutural e Afirmação Identitária” terá a ativista e empreendedora social Luana Genot, fundadora e CEO do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR). Considerada uma das principais vozes da equidade racial no país, Luana conduzirá uma conversa sobre o papel da cultura popular e da educação no combate ao racismo e na afirmação das identidades afro-brasileiras.
Além disso, o público poderá participar de aulas e rodas de capoeira com Mestres renomados, como Mestre João Grande, discípulo direto de Mestre Pastinha e uma das maiores lendas vivas da Capoeira Angola. A programação inclui ainda a exibição da websérie “Heróis e Heroínas Populares – A Cultura de um Povo”, a Roda de Capoeira “É Regioná”, o Samba das Tijubinas com Mestre Nenel e Mestra Nalvinha, vivências de samba de roda com Rita da Barquinha e uma Feira de Economia Criativa.
Leia também: Verão das Artes: Uma Celebração Cultural em Salvador com Dança, Cinema e Teatro Grátis
Leia também: São Gonçalo celebra cultura afro-brasileira com lançamento do projeto ‘Palmares’ de Altay Veloso
Fonte: agazetadorio.com.br
Homenagem à Capoeira Angola e Mestre João Grande
No último dia, sábado (8), a tradição da Capoeira Angola será celebrada com o painel “Maior é Deus, Grande é João – Uma Vida pela Capoeira”, às 11h15. O encontro reunirá Mestre João Grande e seus cinco filhos, com mediação de Mestre Sabiá.
Mestre João Grande, aluno direto de Mestre Pastinha, é reconhecido como um dos maiores guardiões da Capoeira Angola, contribuindo para preservar e difundir um dos legados mais importantes da cultura afro-brasileira. A programação contará ainda com rodas de capoeira com os Heróis Populares, aulas para crianças, vivência de maculelê com Valmir do Maculelê e a tradicional Roda de Encerramento.
Para Mestre Sabiá, eventos como este são essenciais para fortalecer narrativas e protagonismos de referências culturais fundamentais. “É importante criar momentos para homenagear e reverenciar todos que construíram essa estrada”, ressalta o idealizador.
Serviço e participação
O 8º Rede Capoeira – Heróis Populares acontece de 6 a 8 de agosto de 2026, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), que fica na Avenida Lafayete Coutinho, no Comércio, em Salvador. A entrada é gratuita, com programação aberta ao público interessado em vivenciar e compreender as múltiplas expressões da cultura afro-brasileira e sua luta contra o racismo estrutural.

