Aumento Significativo nas Concessões de Bolsas
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) anunciou que, em 2026, obteve um desempenho notável no Programa Pró-Residência do Ministério da Saúde (MS), ampliando significativamente a concessão de bolsas para os Programas de Residência Médica. Esse resultado representa um crescimento de 150% em comparação a 2025, o que fortalece a política estadual de formação de especialistas para o Sistema Único de Saúde (SUS).
No total, foram solicitadas 136 bolsas pelos Programas de Residência Médica na Bahia, das quais 98 foram concedidas, correspondendo a 72% dos pedidos. Esse número contrasta fortemente com 2025, quando somente seis bolsas foram disponibilizadas, refletindo um avanço na articulação institucional, na qualificação técnica das propostas e na adequação da Bahia às diretrizes federais para a formação de especialistas.
Regionalização na Oferta de Bolsas
O desempenho de 2026 também é notável pela regionalização na oferta de bolsas. Das 22 unidades de saúde que atuarão como campos de prática para os programas de residência médica, 12 estão localizadas no interior do estado. Essa distribuição é um reflexo do compromisso com a regionalização, um princípio fundamental do SUS que visa descentralizar as ações e serviços de saúde, contribuindo para a formação de profissionais que compreendam as necessidades de diferentes localidades baianas.
Jorge Guedes, coordenador de Residências em Saúde e Formação em Serviço da Escola de Saúde Pública da Bahia (Cores/Espba), aponta que esse progresso é resultado de uma colaboração estratégica entre o Estado e as políticas federais de formação. “O alinhamentoentre a Sesab e as diretrizes do Ministério da Saúde foi crucial para este aumento. A Secretaria reconhece a residência médica como o principal modelo de formação de médicos especializados e, antes mesmo da implementação de programas federais, já promovia a interiorização das residências, apoiando os serviços do interior, em especial nas áreas prioritárias de saúde. A melhoria das instituições de saúde estaduais também foi essencial para essa expansão”, comentou.
Apoio Financeiro e Melhoria da Formação Médica
Miralba Freire, presidente da Comissão Estadual de Residência Médica da Bahia (Cerem-BA), ressaltou que o suporte financeiro do governo federal fortalece um processo que já estava em andamento no estado. “A Bahia tem ampliado as vagas de residência médica tanto na capital como no interior, em unidades que possuem infraestrutura adequada para a formação. Esse apoio financeiro será extremamente benéfico para continuarmos avançando na capacitação de especialistas, sempre com o suporte da Sesab e da Cerem. Esses esforços conjuntos visam garantir uma formação médica de qualidade e, consequentemente, melhorar a assistência à população”, afirmou.
Impactos a Longo Prazo na Qualidade da Assistência
O que foi alcançado em 2026 marca um divisor de águas na política de residência médica da Sesab. As primeiras concessões de bolsas do Pró-Residência na rede estadual tiveram início em 2012, com o Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade, por intermédio da Escola de Saúde Pública da Bahia (Espba). Desde então, a expansão foi gradual, culminando neste ano com o maior número de bolsas já concedidas pela Secretaria.
Esse crescimento reflete os investimentos contínuos na qualificação dos programas de residência, no fortalecimento do corpo docente e na integração entre ensino e serviço, além da ampliação da rede assistencial como campo de prática. As bolsas concedidas abrangem especialidades estratégicas para o SUS, como Anestesiologia e Cirurgia Geral, contribuindo para a diminuição das lacunas assistenciais, a interiorização da formação médica e a fixação de profissionais na rede pública de saúde.
Com o fortalecimento da residência médica como um eixo central da política de educação permanente em saúde, a Sesab reafirma seu compromisso com a formação de especialistas que atendam às demandas da população baiana e respeitem os princípios do SUS. A expectativa é que os avanços registrados em 2026 resultem em melhorias diretas na qualidade da assistência, na ampliação do acesso aos serviços e na redução das desigualdades regionais em saúde.

