Valores Recebidos e Investigação
O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que atualmente se apresenta como pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, recebeu um montante de R$ 1,7 milhão do Banco Master, conforme um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento, publicado pelo jornal O Globo, também revela que quase R$ 1,8 milhão veio da gestora de recursos Reag. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 11 de outubro, e levantam questões sobre a origem e os fins desse dinheiro.
Os repasses ocorreram após as eleições de 2022, especificamente entre dezembro do mesmo ano e o intervalo que se estende de março de 2023 até maio de 2024. Esses pagamentos foram direcionados à A&M Consultoria Ltda., uma empresa na qual ACM Neto é sócio, junto a sua esposa. A empresa foi constituída em 28 de dezembro de 2022, possuindo um capital social de R$ 2 mil.
Consultoria e Regularidade
A Receita Federal aponta que a principal atividade da A&M Consultoria é a prestação de serviços de consultoria em gestão empresarial, com uma atividade secundária voltada para apoio à educação. O Coaf, em seu relatório, observou movimentações financeiras que considera elevadas. Em termos claros, o documento aponta: “Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”.
Em resposta às alegações, ACM Neto se defendeu ao afirmar que os valores recebidos são oriundos da prestação de serviços de consultoria. Em uma declaração ao O Globo, ele explicou que constituiu a empresa após deixar o cargo público e que começou a atender a diversos clientes, incluindo o Banco Master e a Reag. “Isso sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional”, destacou o ex-prefeito.
Posicionamento de ACM Neto
O ex-prefeito enfatizou que durante o período dos contratos não existiu qualquer fato que desabonasse as empresas contratantes. Ele ainda reiterou que os serviços prestados não estão vinculados a investigações em andamento, além de assegurar que os valores recebidos são compatíveis com os rendimentos e com outros trabalhos de consultoria realizados neste mesmo intervalo.
Cenário do Caso Master
O episódio em torno do Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, é considerado um dos mais significativos na história do sistema financeiro brasileiro. As investigações levantam suspeitas sobre fraudes bilionárias, uso indiscriminado de fundos de investimento para esconder prejuízos e tentativas de socorro por instituições públicas, gerando tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU), e a Polícia Federal (PF).
O Banco Central, em uma nota na época, explicou que a decretação do regime especial nas instituições foi justificada pela grave crise de liquidez que enfrentava o conglomerado Master, além da significativa deterioração do seu status econômico-financeiro e por graves violações às normas que regulamentam as atividades das instituições financeiras. Em um processo extrajudicial, o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A, e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários foram liquidificados.

