Esquema de Lavagem de Dinheiro Ligado a MC Ryan é Desmantelado pela PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Narco Fluxo, que tem como alvo um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a figura do artista MC Ryan, nome artístico de Ryan Santana dos Santos. No organograma da investigação, o funkeiro está vinculado a uma rede que conecta seu assessor pessoal, Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga, a empresas acusadas de fraudes em apostas, especificamente a YCFShop Tecnologia em Ecommerce, que movimentou R$ 2,9 milhões em um curto período.
As suspeitas surgiram após a análise de que a YCFShop estaria fraudando usuários de jogos virtuais, desaparecendo com o dinheiro de quem tentava retirar valores de suas plataformas. A PF relata que a empresa já teve contas encerradas por instituições financeiras devido à falta de fundamento econômico. A reportagem tentou, sem sucesso, contatar representantes da YCFShop para um posicionamento sobre as acusações.
Os documentos apresentados pela PF à Justiça Federal indicam que Belga transferiu R$ 2,6 milhões para a empresa MC Ryan SP Produção Artística, que é de propriedade do funkeiro. Essa movimentação financeira levanta questões sobre a natureza dos negócios entre eles, evidenciando uma interligação entre eles em um contexto que a PF descreve como uma ‘complexa teia criminosa voltada à lavagem de capitais’.
A defesa de MC Ryan, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, está comprometida em comprovar a legalidade das transações financeiras envolvendo o artista e seu assessor. O advogado ressalta que MC Ryan já havia estabelecido um Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público de São Paulo, que abrange aspectos relacionados à investigação atual.
Além dos pagamentos a Belga, a investigação aponta que outras fontes têm repassado quantias significativas ao assessor, em total contexto de jogos ilegais e denúncias de retenção de apostas. A YCFShop aparece em um processo judicial, ao lado da Golden Cat Processamento de Pagamentos Ltda., que resultou no bloqueio de plataformas de jogos de azar, como o Jogo do Tigrinho.
A PF enfatiza que a conexão entre essas empresas demonstra que elas atuam como intermediadoras de pagamentos para a máfia das apostas, drenando recursos da economia popular brasileira. A defesa de Sun Chunyang, um dos sócios da Golden Cat, declarou que demonstrará sua inocência, alegando que ele atua apenas como intérprete e intermediador comercial.
O inquérito revela que a Golden Cat é considerada como a principal empresa do esquema, com movimentação superior a R$ 1 bilhão, controlando 75% dos recursos rastreados. A relação entre a Golden Cat e a empresa de MC Ryan sugere uma operação conjunta voltada para a exploração de jogos de azar e a lavagem de capitais, com o intuito de beneficiar influenciadores que atraem vítimas para o esquema.
Adicionalmente, investigações indicam que MC Ryan e seu círculo próximo poderiam ter conexões com a facção criminosa PCC, uma acusação sustentada por evidências de repasses financeiros de produtoras de funk que teriam envolvimento na lavagem de dinheiro. Documentos da PF registram que Ryan e suas empresas também receberam valores de entidades ligadas ao crime organizado.
A situação se complica com a revelação de que o padrasto de MC Ryan possui ligações com a facção criminosa, levantando suspeitas sobre como o artista iniciou sua carreira musical, com possíveis financiamentos oriundos de atividades ilícitas. A investigação continua em andamento, enquanto a PF busca aprofundar a conexão entre MC Ryan, seu assessor e o esquema de lavagem de dinheiro.

