A História do Arrastão do Paletó
No programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, a série “Meu Bairro em Pauta” traz à tona a rica trajetória de um evento que se tornou um símbolo da cultura da Rua Nova: o Arrastão do Paletó. Essa iniciativa, que se estende por 38 anos, nasceu de maneira espontânea e hoje é reconhecida como um verdadeiro ícone da cultura popular de Feira de Santana.
O fundador do movimento, Edmilson Jesus da Paixão, carinhosamente conhecido como Neguinho da Bahia, recorda como tudo começou de forma simples, nas ruas do bairro. “Surgiu lá no começo com meu tio. Eu com pandeiro debaixo do braço, e aos poucos foi crescendo”, relembrou.
Com o tempo, o Arrastão do Paletó ganhou força, atraindo novos participantes e artistas locais, como Libu do Reggae e outros nomes que representam a cultura da região. “Foi chegando mais gente, foi crescendo. Hoje tem os caçulinhas também, que vão manter o paletó no futuro”, declarou Neguinho.
A Origem do Nome
O nome “Arrastão do Paletó” surgiu de maneira orgânica, a partir de uma cena que se tornou emblemática para a identidade do evento. “Foi uma coisa espontânea. Um monte de gente de paletó, uma multidão. Aí ficou esse nome: Arrastão do Paletó”, relembrou. Antes disso, o evento era conhecido como “Arrasta João”, devido à sua realização durante o período de São João. A mudança de denominação ocorreu naturalmente, acompanhada pela adesão popular da comunidade.
Neguinho também destacou que, em algumas edições, existiram regras específicas para os artistas que se apresentavam, como a exigência de músicas autorais, o que ajudou a revelar talentos locais. “Teve um tempo que só cantava quem tinha música própria. Isso ajudou a revelar muita gente daqui”, afirmou.
A Importância da Cultura Local
A força cultural da Rua Nova é um aspecto fundamental para a consolidação do Arrastão do Paletó, com influências diretas de figuras históricas da música e da cultura local. Neguinho mencionou nomes como Nilton Rasta e Jorge de Angélica, que deixaram um legado significativo na região. “Aqui tivemos grandes nomes que contribuíram muito para a cultura”, assegurou.
Em relação à participação do público, Neguinho enfatiza que o evento nunca enfrentou dificuldades nesse sentido, sempre contando com uma forte presença popular. “Nunca teve dificuldade. O povo sempre esteve aqui, uma multidão esperando o paletó”, destacou.
Um Percurso Tradicional
O percurso do evento segue uma tradição bem definida, começando na Praça da Feirinha e passando pelas ruas do bairro até o encerramento da programação. “A gente sai da praça e vai percorrendo as ruas. É uma festa linda, o povo acompanha com alegria”, comentou Neguinho, demonstrando a animação que o evento provoca na comunidade.
O Arrastão do Paletó, portanto, não é apenas um evento cultural; é uma celebração da identidade e da união da comunidade da Rua Nova, que se reúne anualmente para celebrar suas tradições e fortalecer seus laços sociais. Com o passar dos anos, essa festividade se consolidou como um momento de alegria e colaboração entre os moradores.

