Uma Experiência Transformadora
O colégio estadual Clarice Santiago dos Santos, situado no bairro do Arenoso, se transformou em um verdadeiro espaço de memória e resistência na última sexta-feira (8), graças à contação de histórias africanas promovida pelo contador Mário Sankofa e o músico Rick Carvalho. Este evento faz parte da programação do “Maio Antirracista”, que visa fomentar discussões sobre a luta do povo negro, a valorização das raízes culturais e os efeitos da escravidão no Brasil contemporâneo.
A escola, localizada na região que abrigou o antigo Quilombo do Beiru, promove ao longo de maio uma série de atividades, incluindo rodas de conversa, palestras e oficinas focadas na Educação Antirracista. A proposta busca uma releitura do 13 de Maio, enfatizando o papel fundamental da população negra na conquista da liberdade e abordando questões como racismo estrutural, desigualdade social, identidade quilombola e políticas de reparação social. O diretor Marco César destacou a importância do “Maio Antirracista” ao proporcionar aos alunos uma reflexão mais profunda sobre o período pós-abolição, além de envolver toda a comunidade escolar no combate ao racismo.
A Importância da Oralidade
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Fonte: decaruaru.com.br
Em sua apresentação, Mário Sankofa enfatizou a relevância da oralidade na preservação das culturas africanas e afro-brasileiras. Segundo ele, as histórias contadas são legados transmitidos de geração em geração. “Nada do que praticamos é inédito; reproduzimos a tradição de contar histórias, como aprendemos com os mais velhos”, afirmou. Ao som do instrumento ancestral tocado por Rick Carvalho, os estudantes puderam se conectar com suas raízes culturais de uma forma lúdica e significativa. “Estamos proporcionando às crianças uma experiência que as remete às nossas origens, em uma escola que realiza um trabalho tão impactante”, acrescentou Carvalho.
Pertencimento e Ancestralidade
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Fonte: alagoasinforma.com.br
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Fonte: odiariodorio.com.br
A repercussão da atividade não se restringiu apenas aos alunos, mas também mobilizou educadores da instituição, que ressaltaram os efeitos pedagógicos da ação na formação dos estudantes. A professora Amilca Fernandes, do Atendimento Educacional Especializado, destacou a importância da interação com as crianças para reforçar o sentimento de pertencimento e ampliar o conhecimento sobre ancestralidade. “Os alunos conseguem compreender a relevância da identidade quilombola e começam a desenvolver protagonismo tanto dentro quanto fora da escola”, afirmou a professora de Língua Portuguesa, Rita Bonfim.
Para os estudantes, a atividade despertou um novo interesse por narrativas que fogem do padrão tradicional, permitindo uma visão mais ampla sobre a cultura africana. Maria Clara Duarte, aluna do 7º ano, destacou a experiência como enriquecedora, afirmando: “As narrativas africanas têm uma profundidade especial e revelam aspectos do cotidiano que enriquecem a experiência do ouvinte”. Essa experiência não apenas diverte, mas também educa, contribuindo para um entendimento mais profundo da diversidade cultural e histórica que compõe o Brasil.

