Turismo em Terras Indígenas: Oportunidades e Desafios
O turismo em áreas indígenas foi sido amplamente discutido no 10° Salão do Turismo, realizado em Fortaleza (CE), no dia 7 de setembro. O painel intitulado “Visitação Turística em Áreas Indígenas” contou com a participação de representantes do Ministério do Turismo, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). Os participantes abordaram estratégias para fomentar e regularizar as atividades turísticas nos territórios indígenas.
A mediação do debate ficou a cargo de Juliana Oliveira, chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade (ASPADI) do Ministério do Turismo. Durante sua fala, ela destacou o Mapeamento do Turismo em Comunidades Indígenas no Brasil, lançado na COP30. O documento oferece um panorama das iniciativas turísticas desenvolvidas em várias regiões do país, destacando a importância do turismo responsável e sustentável nos territórios indígenas.
“Não se trata apenas de um diagnóstico. Trata-se de reconhecer o papel fundamental dos povos indígenas na construção de um turismo que respeita e valoriza sua cultura”, enfatizou Juliana. O mapeamento traz informações sobre 146 iniciativas de turismo realizadas por 93 etnias em todo o Brasil, evidenciando a diversidade cultural e o potencial turístico dos povos indígenas.
Ainda durante o painel, foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério do Turismo, Embratur, Funai, o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O objetivo é promover ações que apoiem o desenvolvimento do turismo indígena, além de incentivar a comercialização de experiências e produtos turísticos, com foco no ecoturismo e no etnoturismo de base comunitária.
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Ações da Embratur e Regularização do Turismo
No evento, Tânia Neres, coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, apresentou o histórico da atuação do órgão na promoção da diversidade cultural. Ela ressaltou a criação da Coordenação de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas (CADI) como uma iniciativa para fortalecer e promover a dignidade cultural dos territórios indígenas.
Ramon Rodrigues Ramalho, antropólogo da Coordenação-Geral de Atividades Produtivas (CGAP) da Funai, falou sobre a importância do Plano de Visitação Turística, um documento oficial que autoriza a realização de atividades turísticas em terras indígenas. Ele destacou que esse plano é essencial para assegurar o respeito à cultura e ao meio ambiente, promovendo um turismo sustentável que siga as diretrizes estabelecidas pelas comunidades.
Ramon também alertou sobre os riscos da disseminação desordenada de projetos turísticos nas terras indígenas, que podem prejudicar tanto as comunidades quanto o meio ambiente e os visitantes.
Guia das Aldeias Indígenas: Uma Iniciativa da Secretaria de Turismo de SP
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Durante o painel, foi apresentado o “Guia Turístico das Aldeias Indígenas do Estado de São Paulo”, uma publicação inédita feita pela Secretaria de Turismo e Viagens em parceria com a Coordenadoria de Políticas para os Povos Indígenas. O guia destaca experiências de turismo comunitário desenvolvidas por povos originários em diferentes regiões do estado, focando na valorização cultural, na geração de renda sustentável e na preservação dos saberes ancestrais.
Leonardo Costa, assistente técnico da Assessoria de Turismo e Viagem do Estado, comentou: “O Guia reúne aldeias de diversas etnias presentes no Estado de São Paulo, proporcionando experiências autênticas e educativas para visitantes nacionais e internacionais”.
Demandas e Protagonismo dos Povos Indígenas no Turismo
Maria Potyguara, presidente da Rede Nacional Indígena de Etnoturismo Kuywa Inaré, afirmou que o evento ofereceu uma plataforma importante para reivindicações e propostas direcionadas aos órgãos turísticos. Ela disse: “Aqui temos visibilidade e podemos lutar por políticas públicas que levem infraestrutura e capacitação até nossos povos, fortalecendo nossa luta pela autogestão do turismo”.
Geyson Potyguara, tesoureiro da Rede Kuywa Inaré, enfatizou a importância do painel para discutir o fortalecimento do turismo nas comunidades indígenas. “Estamos em busca de protagonismo no turismo, e eventos como este são fundamentais para que nossas vozes sejam ouvidas de maneira eficaz”, concluiu.
Programação do Salão do Turismo
O 10° Salão do Turismo ocorre entre os dias 7 e 9 de setembro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. A entrada é gratuita e aberta ao público. Para participar, os interessados devem se inscrever pelo site oficial do evento. As instruções para a inscrição incluem informações pessoais e a escolha das atividades desejadas.
Além disso, os visitantes poderão conferir a programação do evento e dicas sobre o que fazer em Fortaleza durante esses dias. O turismo nas áreas indígenas está se consolidando como um elemento chave para a valorização cultural e o desenvolvimento econômico dessas comunidades.

