Acusações de favorecimento e impugnações marcam eleição no Sindimed-BA
A eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA), marcada para a próxima segunda-feira (29), está envolta em controvérsias. A chapa liderada pelo médico Júlio Braga acusou a comissão provisória responsável pela condução do processo eleitoral de favorecer a composição adversária. As denúncias incluem a permanência de candidatos apontados como inelegíveis até que uma decisão judicial os excluísse e suspeitas de uso irregular de dados pessoais para propaganda eleitoral.
O candidato a vice-presidente da chapa de Júlio Braga, Marcelo Galvão, destacou que dois integrantes da oposição, considerados inelegíveis por descumprirem o estatuto do sindicato, continuaram na disputa até a intervenção judicial. “Essa comissão provisória foi eleita pela maioria da oposição. Por ser presencial, muitos médicos do nosso lado não conseguiam ir votar para definir a comissão. Essa comissão é tão suspeita que, para ter uma ideia, a ata notarial que serviu de base para a primeira ação judicial da chapa opositora foi feita por um dos membros da atual comissão eleitoral”, afirmou Galvão em entrevista ao CORREIO.
Implicações institucionais e decisões judiciais na disputa eleitoral
A chapa adversária é liderada pelo médico Tiago Almeida, filho do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB). Segundo Marcelo Galvão, dos 22 integrantes da composição opositora, dois candidatos, Humberto Barreto de Jesus e Wagner Oliveira Bonfim, não cumpriam os requisitos estatutários para concorrer. Eles deveriam estar filiados ao sindicato até 30 de outubro de 2025, prazo que corresponde a seis meses antes do término do mandato da diretoria atual, mas se sindicalizaram após essa data.
Apesar disso, a chapa foi homologada pela comissão provisória, que rejeitou o pedido de impugnação apresentado pela chapa de Júlio Braga, alegando que o processo eleitoral se encontrava em situação excepcional. No entanto, essa decisão foi revertida pela Justiça do Trabalho, que, por meio de liminar concedida pelo juiz Rafael Yoshida Rocha, reconheceu a inelegibilidade dos dois candidatos e determinou a exclusão deles da chapa.
Substituições controversas e impactos no processo eleitoral
Na quinta-feira (25), a comissão provisória substituiu os candidatos impugnados pelos suplentes Adielma do Socorro e Salvador Luiz de Carvalho, conforme documentos enviados por Marcelo Galvão ao CORREIO. Para a chapa de Júlio Braga, essa substituição viola as normas da eleição. O artigo 17 da resolução que rege o pleito estabelece que candidatos impugnados não podem ser substituídos por suplentes, além de exigir que as 22 vagas da chapa estejam preenchidas no momento do registro.
Essa irregularidade, segundo a chapa liderada por Júlio Braga, compromete a candidatura de Tiago Almeida, colocando em xeque sua elegibilidade para disputar o pleito de segunda-feira.
Posicionamento da comissão provisória e denúncias sobre uso de dados pessoais
Em nota, a comissão provisória negou parcialidade na condução da eleição e afirmou manter-se “equidistante de ambas as chapas concorrentes”. Sobre as denúncias de uso irregular de dados pessoais, Marcelo Galvão relatou que médicos sindicalizados receberam mensagens de propaganda eleitoral da chapa opositora via WhatsApp. Um integrante da chapa de Júlio Braga teria confirmado que o contato usado para disparos foi disponibilizado pelo próprio sindicato, o que configuraria possível violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
No entanto, a comissão provisória afirmou categoricamente que não forneceu relação de candidatos em violação à LGPD e que a divulgação da lista de votantes é feita preservando dados confidenciais, sem incluir telefones ou e-mails, conforme esclareceu em nota enviada ao CORREIO.

