Contexto da crise política na Bahia
Durante o cortejo do 2 de Julho em Salvador, o clima político evidenciou uma tensão crescente. Enquanto grupos de militantes se posicionavam nas esquinas para provocar adversários, cartazes com a frase “Jaques do Master” foram fixados nas paredes do centro antigo da cidade. A referência direta é às investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT) e o banco de Daniel Vorcaro. Além disso, paredões de som reproduziam jingles que criticavam o governador Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) era alvo de vaias da militância petista. Essa conjuntura evidencia a crise do Master, que tornou-se um elemento central na disputa eleitoral entre Jerônimo e ACM Neto, repetindo o embate de 2022 e indicando uma eleição que pode ser definida por detalhes.
Impactos da operação da Polícia Federal e a reação do PT
Jerônimo Rodrigues vinha em trajetória ascendente, beneficiado por obras e pela popularidade renovada do presidente Lula (PT), mas a operação da Polícia Federal que investiga Jaques Wagner por supostos pagamentos vinculados ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, gerou um abalo na base governista. O senador nega irregularidades. Em resposta, o PT lançou uma campanha publicitária nas redes sociais, intitulada “Três Irmãos”, para reforçar a unidade entre Jerônimo, Wagner e o ex-ministro Rui Costa. A propaganda, que inclui um jingle inspirado em uma canção gospel, foi antecipada para mostrar coesão diante das turbulências internas, especialmente entre Wagner e Rui Costa. Nos bastidores, o partido espera que o impacto político dependa da evolução das investigações, mantendo uma postura que evita que o tema monopolize a agenda política.
Posicionamentos institucionais e estratégias eleitorais
O governador Jerônimo Rodrigues reafirmou sua confiança no senador, destacando a unidade do grupo e informando que Wagner se afastou para se defender e contribuir para a campanha. Diferentemente do presidente Lula, que o afastou da liderança do governo no Senado, Jerônimo manteve Eduardo Sodré, secretário estadual de Meio Ambiente e enteado de Wagner, no cargo, mesmo diante das investigações. A oposição, por sua vez, adotou um tom mais cauteloso, limitando o debate ao campo judicial e focando a crítica na gestão de Jerônimo. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ressaltou que a Justiça deve julgar conforme a lei e que atos de improbidade precisam ser responsabilizados.
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Repercussões na oposição e ampliação do debate político
A crise do Master também atingiu a oposição. Relatórios do Coaf indicaram que uma empresa ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do banco Master e da gestora Reag. Neto afirmou que prestou serviços de consultoria e que os valores declarados são lícitos. Apesar de sinais de trégua, o tema voltou à tona após declarações do ex-ministro Rui Costa, que mencionou o contrato da empresa da esposa de ACM Neto com o banco Master. João Roma (PL), pré-candidato ao Senado na chapa de Neto, classificou as críticas como “agressão gratuita” à família do aliado. Desde sua saída da Casa Civil, Rui Costa tem intensificado o embate com ACM Neto, adotando postura mais incisiva nas redes sociais.
Disputa eleitoral marcada por críticas mútuas e estratégias de campanha
Enquanto a oposição concentra sua crítica na gestão de Jerônimo, avaliando que a crise do Master é um fator adicional, os petistas rejeitam a tese de desgaste pela permanência no poder, afirmando que o grupo atua coletivamente e se renovou em duas décadas. Para atacar a chapa de Jerônimo, Rui e Wagner, oposicionistas passaram a usar o termo “panelinha”, repetindo uma estratégia antiga do PT contra o grupo carlista. ACM Neto declarou que a Bahia merece novas lideranças, questionando a continuidade do mesmo grupo no poder. A eleição na Bahia promete ser disputada, com a crise do Master como pano de fundo para a ofensiva eleitoral e o embate entre grupos políticos consolidados no estado.
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