Crescimento da produção baiana destaca o estado no cenário nacional
Enquanto a produção nacional de algodão projeta uma queda de 8,2% para a safra 2025/2026, a Bahia segue em trajetória oposta e amplia sua participação no mercado. O estado deve colher 852,7 mil toneladas de pluma, um volume 16% superior ao registrado na safra anterior, que chegou a 736,6 mil toneladas. Esses números consolidam a Bahia como o segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso, e elevam sua fatia para cerca de 22% da produção nacional estimada em 3,9 milhões de toneladas pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Avanços tecnológicos impulsionam produtividade e qualidade
O aumento da produção baiana não se limita à expansão da área cultivada, que passou de 413,1 mil para 417,9 mil hectares. A produtividade média também deve alcançar 2.030 quilos de pluma por hectare, acima da média nacional projetada de 1.954 quilos. Para o diretor-executivo da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Gustavo Prado, esse avanço está relacionado ao investimento em tecnologia, como irrigação automatizada e agricultura de precisão. Cerca de 170 mil hectares são irrigados com sistemas que monitoram a umidade do solo e acionam a irrigação apenas quando necessário, otimizando recursos e promovendo sustentabilidade.
Além disso, o uso de sensores para monitoramento de pragas e aplicação localizada de fertilizantes e defensivos contribui para a redução de custos e o aumento da eficiência. A qualidade da fibra baiana também chama atenção, com pluma destacada pela coloração e brilho superiores, características valorizadas no mercado internacional. Prado ressalta que as condições climáticas favoráveis durante a colheita devem resultar em uma fibra ainda mais branca e de alta qualidade, um diferencial para compradores estrangeiros.
Oeste da Bahia concentra produção e aposta em expansão sustentável
A maior parte da cotonicultura está concentrada no Oeste da Bahia, com municípios como São Desidério, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Correntina e Formosa do Rio Preto entre os maiores produtores do país. Gustavo Orth, produtor em Correntina desde 1998, destaca que a área cultivada quase dobrou na última década, passando de pouco mais de 250 mil hectares para quase 418 mil hectares, resultado de investimentos em tecnologia e aumento da irrigação.
Orth enfatiza a prática da agricultura de precisão em sua propriedade, com monitoramento diário das lavouras e aplicação detalhada de insumos para maximizar a produção com eficiência no uso de recursos. Esse modelo contribui para o crescimento sustentável da produção no estado.
Exportações fortalecem posição da Bahia no mercado global
Com cerca de 80% da produção destinada ao mercado externo, a Bahia abastece grandes polos têxteis mundiais, principalmente na China, Paquistão, Vietnã, Turquia e Bangladesh. O diretor da Abapa explica que a competitividade do algodão baiano está na qualidade da fibra e na capacidade produtiva, permitindo que o Brasil se mantenha como maior exportador global do produto.
Grande parte da pluma exportada é transformada em fios, tecidos e roupas na Ásia antes de voltar ao Brasil e à Europa como produtos industrializados. Segundo Orth, esse cenário revela uma lacuna para o crescimento da indústria têxtil nacional, já que o país produz mais algodão do que consome internamente, apontando potencial para ampliar a agregação de valor localmente.
Prioridade para a Bahia: industrialização e geração de empregos
O Governo da Bahia reconhece que o próximo passo para ampliar os benefícios econômicos do algodão está na industrialização da cadeia produtiva. A estratégia visa reduzir a exportação da pluma como matéria-prima e atrair investimentos para a fabricação de fios, tecidos e confecções dentro do estado, gerando mais empregos e renda localmente.
O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), Assis Pinheiro Filho, destaca que o algodão movimenta bilhões de reais e impulsiona setores como logística, comércio e infraestrutura, especialmente no Oeste. Ele ressalta que agregar valor ao produto no estado é fundamental para fortalecer a economia regional e ampliar a geração de empregos formais.
Para isso, o governo atua em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Entre as prioridades estão o combate ao bicudo-do-algodoeiro, pesquisa para variedades resistentes ao estresse hídrico e melhorias na infraestrutura logística, como recuperação de estradas vicinais e modernização dos corredores de escoamento no Oeste baiano.
Assis Pinheiro Filho enfatiza que a redução dos custos de transporte até os portos de Salvador e Santos é essencial para aumentar a competitividade e atrair novos investimentos industriais. O avanço nessa direção pode transformar a Bahia em um polo ainda mais forte na cadeia produtiva do algodão, impulsionando a economia local e gerando impacto direto no emprego e na renda.

