Revelações sobre a cultura iorubá e suas conexões históricas
O legado de Pierre Verger ganha novo fôlego com o lançamento de “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim”. Esta coletânea inédita apresenta 12 textos do renomado fotógrafo e etnógrafo francês, que viveu na Bahia, produzidos entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1980. Muitos desses escritos nunca haviam sido traduzidos para o português, o que amplia o acesso às suas pesquisas.
Publicada pelo Instituto Çarê em parceria com a Fundação Pierre Verger, a obra será apresentada na Casa do Olodum, em Salvador, no dia 8 de agosto, durante a 10ª Flipelô. Em São Paulo, o lançamento ocorre na Biblioteca Mário de Andrade, no dia 16 de setembro. Os eventos contam com a participação dos pesquisadores Angela Lühning, Angela Fileno e Tiganá Santana, mediados por Teté Martinho.
Temas centrais e trajetória do pesquisador
Organizado por Angela Lühning, o livro surgiu a partir do acervo da editora Corrupio, adquirido pelo Instituto Çarê em 2003. A obra reúne ensaios que exploram temas fundamentais na trajetória de Verger, como as ligações históricas entre o golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas, o sistema de divinação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.
Durante sua carreira, Verger dedicou-se a estudar arquivos históricos, acompanhar rituais e registrar saberes transmitidos por comunidades da África Ocidental e da Bahia. Em 1966, obteve o título de doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris, consolidando sua importância nos estudos da diáspora africana.
Na época em que produziu esses textos, Verger dividia seu tempo entre Salvador e a Nigéria, pesquisando arquivos coloniais europeus e brasileiros. Atuou como pesquisador associado da Universidade de Ibadan e professor visitante da Universidade de Ilê-Ifé. Também percorreu diversas localidades do território iorubá para observar rituais e coletar relatos orais de babalaôs.
Organização dos escritos e legado cultural
“Iorubahia” está estruturado em três eixos temáticos que refletem diferentes aspectos da pesquisa de Verger. O primeiro, “Aspectos históricos das relações transatlânticas”, dialoga com sua tese de doutorado sobre o tráfico de escravizados entre o golfo do Benim e a Bahia. O segundo, “Religião iorubá: fundamentos e diáspora”, aborda o papel da religião dos orixás na Nigéria e no Brasil, além do fenômeno do transe religioso. Por fim, “Cultura, conhecimento e oralidade iorubá” reúne reflexões sobre as tradições orais, as plantas litúrgicas e o sistema de divinação Ifá.
Com posfácio de Tiganá Santana e projeto gráfico assinado por Oga Mendonça, o livro amplia o acesso ao acervo de Pierre Verger, reforçando a relevância de sua pesquisa para a memória cultural da Bahia e para o entendimento das conexões afro-atlânticas.

