Recuperação da Casas Bahia chama atenção do mercado
Durante o auge do varejo na pandemia, as ações da Casas Bahia (BHIA3) chegaram a ser negociadas a R$ 443, impulsionadas pelo boom do comércio eletrônico e pela taxa Selic em seu menor patamar histórico, de 2% ao ano. No entanto, o cenário otimista não se manteve: desde a máxima alcançada em outubro de 2020, os papéis da varejista acumulam uma queda expressiva de 99,8%, fechando recentemente a R$ 0,79.
Com o fim do período de otimismo e o aumento dos juros, os investidores passaram a observar a companhia com mais cautela. A pressão da alta da Selic e a desaceleração do consumo afetaram os resultados e o nível de endividamento da Casas Bahia, que enfrentou dificuldades significativas, culminando em um pedido de recuperação extrajudicial em 2024, finalizado no fim do ano passado.
Avanços operacionais impulsionam a retomada
O Itaú BBA retomou a cobertura dos papéis da Casas Bahia, destacando que a empresa tem apresentado uma recuperação impressionante. A análise revela uma dualidade: enquanto a companhia trabalha para reorganizar suas operações, o cenário macroeconômico representa o principal risco para sua retomada.
Atualmente, a recomendação para as ações é neutra, com preço-alvo estimado em R$ 1, indicando um potencial de alta de 26% em relação ao fechamento recente.
Entre os pontos positivos, o banco ressalta a melhoria na margem Ebitda da Casas Bahia, que saltou de aproximadamente 0,6% em 2023 para 5,3% no primeiro trimestre de 2026, sinalizando maior eficiência e rentabilidade operacional.
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Essa evolução foi impulsionada por uma estratégia aprimorada no mix de produtos, otimização da rede física com o fechamento de lojas de baixo desempenho e o fortalecimento do negócio de crédito próprio, o Casas Bahia Pay.
Parcerias estratégicas e impacto no e-commerce
Outro destaque é a recente aproximação com marketplaces relevantes, como Mercado Livre (MELI34), Amazon (AMZO34) e Shopee (S2EA34). No primeiro trimestre, o varejo online cresceu 27,4% em comparação ao ano anterior, alcançando R$ 3,2 bilhões em vendas.
Segundo o CEO Renato Franklin, essas parcerias ampliaram o alcance da marca, atraindo novos consumidores para os canais digitais sem abrir mão da operação própria. Atualmente, os marketplaces representam mais de 5% das vendas totais e cerca de 10% das vendas online, o que equivale a aproximadamente R$ 2 bilhões por ano.
Essa estratégia gera tráfego qualificado, reduzindo os custos de aquisição de clientes e fortalecendo o posicionamento competitivo da varejista frente à concorrência.
Além disso, a recuperação extrajudicial permitiu a redução da dívida em R$ 3 bilhões entre 2024 e 2025, melhorando o balanço financeiro e a percepção de risco de crédito da empresa. Como consequência, a Casas Bahia conquistou prazos de pagamento mais longos com fornecedores, aliviando os custos operacionais.
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Desafios macroeconômicos limitam o crescimento
Apesar dos avanços, o principal desafio da Casas Bahia permanece ligado ao cenário macroeconômico. A empresa atua fortemente em segmentos como móveis e eletrodomésticos, que dependem do acesso ao crédito pelos consumidores. Em ambiente de juros elevados, a demanda por esses produtos tende a se manter pressionada.
Além disso, o banco identificou um crescimento limitado para a carteira de crédito própria, com risco maior de inadimplência, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Os analistas do Itaú BBA classificam a Casas Bahia como uma das empresas mais sensíveis ao ciclo de juros dentro do universo que acompanham. Cada variação de um ponto percentual na Selic pode impactar o fluxo de caixa livre da varejista em cerca de R$ 200 milhões.
Para o ano de 2026, a projeção é de um prejuízo líquido de R$ 2,2 bilhões. A companhia está prevista para divulgar os resultados do segundo trimestre no dia 12 de agosto, após o fechamento do mercado. Até lá, a recomendação dos analistas é acompanhar os desdobramentos com atenção, pois o cenário ainda apresenta incertezas significativas.

