Matemática desmistificada pelo ensino artístico
O professor Márcio Luis Ferreira Nascimento, titular da Escola Politécnica da UFBA, propõe um método de ensino de matemática que utiliza a arte como ferramenta para aproximar os estudantes dos conceitos da disciplina. Em sua palestra “O Que É Que a Matemática Tem?”, realizada no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, ele apresentou seu mais recente livro “Como Dois & Dois”, que integra uma trilogia que já conta com “Et cetera: Engenharia, Tecnologia e Ciência” (2018) e “Engenho, Arte e Matemática” (2023). A ideia central é tornar o aprendizado menos abstrato e mais conectado à cultura local, especialmente à baiana.
Conexões entre cultura e cálculo
O professor Márcio Luis explora a relação entre a matemática e elementos culturais baianos para facilitar a compreensão dos alunos. Ele utiliza canções como “O Que É Que A Baiana Tem?” de Dorival Caymmi e “Como Dois e Dois São Cinco” de Caetano Veloso para introduzir noções matemáticas como frações, mínimo múltiplo comum (MMC) e matrizes. Essa combinação cria o que ele chama de “misteriosa eficácia da matemática”, que surge ao relacionar conceitos matemáticos a manifestações culturais locais, tornando o aprendizado mais significativo e acessível.
Metodologia que alia razão e emoção
Inspirado pelo seu mestre, o educador Luiz Barco, que afirmava que “matemática não foi feita para chatear ninguém”, Márcio Luis desenvolveu projetos de extensão como “Arte & Matemática” desde 2001, em parceria com o MEC, TV Escola e TV Cultura. Seu lema, “decifra-me a qualquer hora”, valoriza o aprendizado no tempo do aluno, em contraponto à pressão tradicional do “decifra-me ou te devoro”. A proposta une a lógica da matemática à sensibilidade da arte, favorecendo uma absorção mais lúdica e eficaz do conhecimento.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
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Fonte: rjnoar.com.br
Desafios atuais no ensino da matemática
Dados recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) mostram que a Bahia ainda enfrenta desafios significativos na aprendizagem da matemática, especialmente no ensino médio. Embora tenha havido avanços nos anos iniciais, o desempenho médio dos estudantes do 3º ano do ensino médio permanece estagnado, com 95,84% deles classificados nos níveis iniciais de proficiência. A dificuldade não está apenas no cálculo, mas em operações básicas, refletindo a necessidade urgente de novas abordagens pedagógicas.
Impacto das desigualdades sociais no aprendizado
As dificuldades em matemática não se explicam apenas pelo ensino. Pesquisas indicam que fatores externos, como a escolaridade da mãe e a entrada precoce no mercado de trabalho, influenciam diretamente o desempenho dos estudantes. O método tradicional, distante da realidade dos alunos, contribui para afastar o interesse e a compreensão da disciplina. A proposta do professor Márcio busca romper essa distância, aproximando a matemática da vida cotidiana e da cultura dos estudantes.
Compromisso com a democratização do conhecimento
Com formação em Física e doutorado em Ciência e Tecnologia dos Materiais, Márcio Luis atua também na divulgação científica com arte, reforçando seu compromisso com o acesso democrático à informação. Seu trabalho destaca a importância de transformar o ensino da matemática para que ela deixe de ser um obstáculo e passe a ser uma ferramenta acessível e compreensível para todos.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
Evento e perspectivas
A palestra realizada em 16 de setembro no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, vinculada ao Projeto Aprendendo e Ensinando no Café, coordenado pelos professores Caiuby Alves da Costa e Lúcia Góes, representa um convite à mudança. O ensino de matemática, por meio da arte e da cultura local, pode inaugurar um novo caminho para o aprendizado, tornando-o mais inclusivo e eficiente. Como reforça a filosofia do educador Luiz Barco, o aprendizado acontece pelo exemplo e pela experiência, não pelo medo ou imposição.
Matemática no ritmo do aluno
O método de Márcio Luis defende que a matemática deve estar disponível no tempo e no ritmo de cada estudante, comparando o aprendizado ao samba, ritmo emblemático da cultura baiana. Essa abordagem pretende que o aluno se sinta acolhido e motivado a aprender sem pressões, transformando o ensino da matemática em uma experiência mais humana e culturalmente conectada.

